
Património da UNESCO ainda tem muito para dar
Volvidos 13 anos da inscrição do bem “Universidade de Coimbra – Alta e Sofia” na lista de Património Mundial da UNESCO, ontem ouviram-se testemunhos de quem está no terreno sobre o que é positivo e o que importa melhorar. Da tertúlia “Encontro com o Património”, organizada pelo Lions Clube de Coimbra (LCC) no histórico Café Santa Cruz, saiu a ideia de que há muto valor a retirar da classificação e foram apresentadas propostas concretas.
Sob moderação de Sofia Félix e Hélder Rodrigues, do LCC, Carlos Pinto abriu o primeiro painel, com o presidente da União de Freguesias de Coimbra a defender «uma estratégia contínua de valorização» do espaço público. E é fundamental melhor limpeza, sublinhou o autarca, com a convicção de que o património não é só de instituições mas sim de todos.
Assunção Ataíde, presidente da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, assinalou as diversas atividades que têm sido realizadas, com a preocupação de interculturalidade e de envolver todas as entidades, incluindo a UC. Na programação da APBC, a Rua da Sofia tem sido uma preocupação, observou. Fechar a artéria ao trânsito «pode ser interessante», considerou, ao propor que a Rua da Sofia, tida como “rua do conhecimento”, seja espaço central da Noite Europeia dos Investigadores. Para o anfitrião da tertúlia, o impacto UNESCO tem sido «extremamente positivo», com o sócio gerente do Café Santa Cruz a entender que, nos próximos 10 anos, a UC, que é a instituição que «atrai pessoas a Coimbra», deve ser usada como bandeira para potenciar todo o património da cidade. Vítor Marques, que apontou as várias iniciativas que o que café vai realizando (em setembro vai expor as 12 rotas culturais europeias que existem em Coimbra), falou em potencial de crescimento e, neste, incluiu a promoção da figura de Fernando de Bulhões, que tomou a decisão de se tornar franciscano em Santa Cruz. Santo António «é uma figura de Coimbra», vincou.
João Farinha, gerente de “O Fado ao Centro”, deixou, em mensagem escrita, total disponibilidade para integrar projetos e algumas dicas de promoção, nomeadamente para maior notoriedade do fado de Coimbra.
Programas turísticos para um, dois ou três dias
José Madeira, presidente da AHRESP (núcleo de Coimbra), aprofundou o tema e registou, com a inscrição do bem, mais dormidas, mais investimento e mais atividade económica. Mas falta retirar valor. É necessário corrigir várias coisas disse, referindo-se à falta de comunicação, fraca valorização dos ativos ou de inovação da experiência turística.
O responsável, que identificou falta de coordenação entre instituições, associações e privados, sugeriu uma melhor estruturação do produto turístico, para programas de um, dois ou três dias e não de visitas de «meio dia» à UC. Também importa corrigir a situação da Baixa, sustentou, que sofre com prédios devolutos, lojas fechadas, falta de iluminação ou de limpeza.
«Falta um Posto de Turismo à altura de Coimbra», acentuou José Madeira», antes de passar às propostas, como criação de uma marca turística mais forte e compreensível, programas turísticos para um dia (UC, Alta, Sé Velha, Baixa e fado), dois dias (acrescentando o Mondego, Mosteiro de Santa Clara, Portugal dos Pequenitos, gastronomia e vida cultural) e para três dias (alargando a Conimbriga, Mata do Bussaco, Lousã, Montemor, Figueira, aldeias, natureza e património religioso). Os programas, sugeriu, devem ser entregues a operadores, agências, hotéis, alojamento locais e restaurantes.
«Fazer da Baixa uma extensão natural da visita à UC, reforçar eventos fora dos períodos de maior procura, revalorizar o fado e o património imaterial» ou «melhorar a informação turística» foram outras sugestões do empresário.
Em resumo, disse, Coimbra tem património, Universidade, história, localização e empresários disponíveis para investir», mas «falta transformar tudo isto num produto turístico mais claro, bem comunicado, mais bem coordenado e mais ambicioso».
No segundo painel da tertúlia, que decorreu no âmbito da iniciativa “Sons da Cidade”, falaram João Paulino (ex-presidente da Liga dos Combatentes), o gerente da “Loja das Meias”, Luís Filipe (que enviou comunicação escrita), Jorge Mendes (“Tapeçarias e Decorações”), Orlanda Duarte (“Pastelaria Briosa”) e António Cruz (“Ágata Joalharias”).
João Paulino sugeriu que fosse criada a Rota Diogo Castilho, para divulgação da obra do arquiteto do século XVI, e Luís Filipe defendeu a ideia de que é preciso ir à procura de investidores e não ficar à espera que surjam. Jorge Mendes aludiu, entre outras questões, à necessidade de envolvimento das pessoas, de uma ligação da Baixa ao resto da cidade. Orlanda Duarte seguiu igual reflexão, com mais comunicação e aposta na participação cívica, envolvendo escolas, comerciantes, morado
"Uma vergonha”
As grelhas de escoamento das ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges, que já causaram lesões a peões, «são uma vergonha», diria António Cruz. O gerente da “Ágata Joalharias” apontou várias deficiências na Baixa, como, por exemplo, falta de iluminação, casas de banho públicas, outra «vergonha», lajes partidas ou canteiros mal colocados.











