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Hospital já reativou consulta para doentes com paramiloidose

ULS do Baixo Mondego garante proximidade no acompanhamento clínico a quem sofre da “doença dos pezinhos” e está a avaliar cedência de espaço para instalar sede do núcleo

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Baixo Mondego reativou a consulta especializada para doentes com paramiloidose no Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF), garantindo maior proximidade no acompanhamento clínico a quem sofre da patologia vulgarmente conhecida como “doença dos pezinhos”. Além disso, já tem disponível uma equipa - composta por um médico, um enfermeiro e um assistente social - para prestar apoio domiciliário. Em paralelo, a instituição hospitalar está a avaliar a cedência de um espaço para instalar a sede do núcleo local da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), que voltou ao ativo no início de 2026 depois de um interregno de cinco anos.

A reativação da consulta especializada visa evitar a deslocação sistemática de doentes fragilizados para os centros de referência de Coimbra ou do Porto e surge após o arranque de um projeto-piloto pioneiro no HDFF, que beneficia agora os pacientes da região com consultas de proximidade mais céleres e personalizadas. Já a concretização de uma nova sede, em articulação com a ULS Baixo Mondego, irá representar uma vitória significativa para a associação, que assim poderá dispor de local próprio para centralizar o acolhimento, o esclarecimento de dúvidas e a promoção de rastreios ou encontros de partilha para portadores e cuidadores.

«Felizmente, a ULS está presente e empenhada na nossa causa. Este é um primeiro passo que vem dar força ao nosso núcleo para poder trabalhar, conhecer as pessoas e ajudar a informar a população sobre quais os passos a dar assim que se descobre se é doente», frisou Graça Matos, presidente do Núcleo da Figueira da Foz da Associação Portuguesa de Paramiloidose.
A responsável indicou que, de acordo com o recente estudo LATERN (desenvolvido pela ENSP-NOVA em parceria com a APP), estão identificadas 66 pessoas com paramiloidose na Figueira da Foz. Dado que a patologia afeta múltiplos órgãos - exigindo o acompanhamento de equipas multidisciplinares em áreas como a Neurologia, Cardiologia, Oftalmologia e Nefrologia -, a presidente da associação sublinhou que a proximidade dos cuidados de saúde assume um papel vital para mitigar dificuldades de deslocação dos doentes.

Reativação da consulta especializada evita a deslocação sistemática dos doentes para os centros de referência de Coimbra ou Porto

Graça Matos falava à margem de um encontro que se realizou no sábado, no Auditório Madalena Biscaia de Azeredo Perdigão, intitulado “Viver com Paramiloidose: Conversas Práticas e Vozes de Experiência”, e que contou com a participação de Ana Raquel Santos na sessão de abertura. «Enquanto presidente da ULS do Baixo Mondego quero reafirmar o nosso compromisso com uma resposta mais integrada e humanizada. Fomos a primeira unidade a conseguir administrar localmente esta terapêutica e agradeço aos profissionais de saúde que todos os dias fazem acontecer esta proximidade, garantindo que os doentes têm uma maior comodidade naquilo que é o seu tratamento. Para nós é um orgulho», realçou a diretora.

O evento nacional, que nasceu de uma parceria entre a APP e a AstraZeneca no âmbito das iniciativas ligadas ao Dia Nacional de Luta Contra a Paramiloidose, resultou num fórum interativo dedicado a portadores da doença, familiares, cuidadores e profissionais de saúde, reunindo 150 pessoas. A iniciativa focou-se na partilha de experiências, no esclarecimento de dúvidas e na reflexão conjunta sobre o impacto desta patologia rara na qualidade de vida.

Investir na saúde é investir na dignidade

Olga Brás, vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, participou na sessão de abertura do encontro onde afirmou que «a ciência abre caminhos, mas a política tem a responsabilidade de garantir que esses caminhos podem ser percorridos por todos». Nesse sentido, sublinhou que a política deve assumir o seu papel mais nobre ao assegurar que nenhuma pessoa é deixada para trás por razões geográficas, económicas ou sociais. «É compreender que o investimento na saúde não é uma despesa, é um investimento na dignidade humana», evidenciou Olga Brás, partilhando com a plateia que conhece bem de perto a realidade da paramiloidose, uma vez que a sua sogra sofreu desta patologia quando os tratamentos ainda eram escassos.

Junho 22, 2026 . 09:10

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