
Prova de tiro com arco e besta medieval levou o Castelo a recuar vários séculos
Cerca de 70 arqueiros, vestidos a rigor e munidos de arcos e flechas tradicionais (feitos de madeira) “defenderam” com todo o afinco o Castelo de Montemor-o-Velho, fazendo pontaria a 18 alvos técnicos e temáticos (alguns deles com representações de animais como lobos, aranhas e dragões), estrategicamente posicionados.
Falamos da Prova de Tiro com Arco e Besta Medieval que pelo quarto ano consecutivo tem como cenário este monumento histórico, numa parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho. Dinamizada pela Academia de Esgrima Histórica, a prova integra o Campeonato Nacional dos Castelos da Federação de Arqueiros e Besteiros de Portugal. São 10 as competições realizadas por ano, de norte a sul do país, em espaços históricos como este, nomeadamente Leiria e Ourém. O Castelo de Montemor-o-Velho é o «mais a norte» a acolher este tipo de iniciativa, e «o mais bonito», confidenciou ao Diário de Coimbra, Mariana, um dos rostos da Academia de Esgrima Histórica.
A perícia de todos os participantes - homens e mulheres de várias nacionalidades e idades, sendo que o mais novo tinha 11 anos e o mais velho 83 anos de idade - foi, assim, colocada à prova durante cerca de três horas na manhã de ontem. Organizados em patrulhas (de acordo com o escalão, género, categoria, e respondendo a uma hierarquia, existindo um chefe e dois apontadores das pontuações) foram passando pelos alvos - cuja distância oscilava entre os nove e os 40 metros - sendo que em cada “paragem” apenas podiam disparar três flechas.
Mas não só de arcos e flechas se fez esta prova. Também as bestas medievais integraram a competição, com os atletas de diversas zonas do país a terem oportunidade de disparar para o “túnel”, um alvo novo recriado pela organização tendo como exemplo competições internacionais.
Depois de contabilizadas as pontuações, os três melhores classificados subiram ao pódio para receberem as respetivas medalhas, tendo havido também distinções por clubes. À componente desportiva somou-se nesta prova a componente cultural, como evidenciou, Rui Resende, responsável da Academia de Esgrima Histórica, sem esquecer o convívio, sublinhou, por sua vez, Luís Ferreira, de 83 anos, e praticante de tiro ao arco medieval desde 2019, embora sempre tenha tido o gosto por este tipo de “arma”. O arco que envergava este domingo, feito de madeira de acácia, foi preparado por Ricardo Lopes.
Para quem não teve oportunidade de passar pelo Castelo de Montemor-o-Velho estes dias, haverá a oportunidade de viver de perto esta experiência, dentro de um ano, aquando da nova edição da prova.

Acampamento militar medieval com a Ilustre Cruzada
Além da prova, todos os que visitaram o Castelo este fim de semana puderam assistir a recriações históricas, a combates entre homens armadurados, a demonstrações de técnicas de combate e de tiro com arco e explorar mesas pedagógicas.











