
Vale de Canas preocupa na prevenção de incêndios
Num território de elevado risco de incêndios, a presidente da Câmara de Coimbra revelou-se ontem preocupada com a Mata de Vale de Canas, com «árvores de grande porte caídas». Ana Abrunhosa adiantou que, segundo informações do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), as árvores foram já vendidas e estão a aguardar que quem s comprou as vá tirar.
As faixas de gestão de combustível são outra preocupação, disse, ao notar a colaboração e apoio das juntas de freguesia. «Recebemos denúncias», entre outras, de terrenos junto à circular externa, de terrenos privados, mas, observou, quando contactados dizem que o prazo ainda não terminou (expira a 30 de junho).
Neste momento «estamos numa fase de prevenção e de limpeza de caminhos», referiu Ana Abrunhosa, que espera para breve o apoio de uma equipa do ICNF em Coimbra, após trabalhos em Leiria. Ao defender a proteção de equipamentos, dando o exemplo do Aeródromo Bissaya Barreto, «com limpeza feita», a presidente da Câmara falou ainda da ações de sensibilização junto da população, com apoio das juntas de freguesia (em breve será em Santo António dos Olivais, até porque, observou, «temos a floresta dentro da cidade»).
A questão do combate aos incêndios foi inicialmente colocada por José Manuel Silva, que abordou, entre outras questões, as limitações do ICNF, ao lembrar «a ausência de limpeza e manutenção» da Mata Nacional de Vale de Canas». «E todos estamos saturados de ouvir todos os anos os mesmos repetidos e impotentes debates sobre os graves problemas da prevenção e combate aos incêndios», acrescentou o vereador eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra, ao referir uma «lacuna grave» em todos os exercícios de planeamento, ordenamento e gestão do uso do solo rústico destinado ao uso florestal: «a sua regulação e gestão está fortemente impregnada do distante poder da Administração Central».
«Urge, pois, intervir nesta matéria e aproveitar a experiência e os princípios dos planos diretores municipais no contexto da gestão de solo urbano e aplicá-los ao uso e gestão do solo rústico para tornar os territórios mais seguros, resilientes, rentáveis e sustentáveis», defendeu.
Também preocupado com o risco de incêndios, nomeadamente com as toneladas de material lenhoso, ramadas e biomassa acumuladas em caminhos e terrenos florestais, Celso Monteiro notou que até «ao final de maio arderam mais de 10.500 hectares, contra cerca de 3.670 no período homólogo do ano anterior, quase o triplo». Só no distrito de Coimbra, vincou, a GNR sinalizou este ano 501 terrenos por limpar.
Logo após a tempestade Kristin, o vereador da Iniciativa Liberal fez uma proposta, que ontem recuperou: que o município elabore, para cada freguesia, «um plano de pormenor de emergência, com os pontos de saída identificados, tempos de evacuação estimados, número e a localização das pessoas com mobilidade reduzida e os meios disponíveis no terreno».
«Não é um exercício de papel», argumentou, mas sim a diferença «entre saber, à partida, quem está em risco e onde, ou descobrir no próprio dia, à pressa, quando já não há tempo».











