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“Duas versões” de Mariana Freitas numa história de superação

Se eu voltasse ao passado” é o primeiro livro de autoria da jovem Mariana Freitas, com apenas 17 anos e residente em Taveiro

Há histórias que começam com “Era uma vez”, mas a de Mariana Freitas começa com “E se…”, numa viagem ao passado e a um quarto do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde a guerreira Mariana, então com 5 anos, enfrentou uma doença oncológica.

A essa menina, a agora adolescente, de 17 anos, agradece a força e, se lhe pudesse transmitir alguma coisa para acalmar o medo, para além de lhe dar um abraço, dir-lhe-ia o que tanto quis que alguém lhe tivesse conseguido dizer: «Isto não é o fim da tua história. É só um capítulo»

Em “Se eu agora voltasse ao passado”, Mariana Freitas apresenta uma espécie de conversa entre as «duas versões» de si: a da menina que foi diagnosticada com um tumor no fémur da perna direita e a da adolescente de 17 anos, estudante da Escola Secundária D. Duarte, que espera vir a ser professora de Inglês.

Mariana Freitas “abre o livro” da sua vida ao Diário de Coimbra e recorda como tudo começou. «Eu estava a dormir e acordei com imensas dores na perna, mas acharam que era má posição», recorda.

O que é certo que as dores não passavam, a menina começou a arrastar a perna e, numa ida às urgências do Hospital Pediátrico de Coimbra, um raio-x revelou a massa que viria a confirmar o tumor.

Seguiram-se seis meses de tratamentos, entre os quais quimioterapia, até que Mariana Freitas se viu “livre” da doença oncológica, no entanto, ficaram algumas “mazelas”.

«Fiquei com os ossos muito fragilizados», conta, realçando que, em 2022/2023, realizou quatro cirurgias, devido a problemas nos polegares, omoplata e tendões.

Sem perder o otimismo, Mariana Freitas toma, hoje em dia, 13 comprimidos, mas, nada a faz desistir dos seus sonhos e o livro que agora está disponível é apenas um dos sinais da determinação.

Lançamento em Sebal e depois em Taveiro

Mas, afinal, como surgiu a ideia de escrever o livro “Se eu agora voltasse ao passado”? «No verão de 2025, estávamos de férias e não tinha muito que fazer e comecei a escrever», recorda a jovem estudante, salientando que «ninguém fazia ideia de que estava a escrever um livro».

O objetivo nada tinha a ver com «reconhecimento», explica, mas tranquilizar os pais que passam pela mesma angústia que os seus tiveram de enfrentar.

Como está explicado no livro, «Mariana escreve não apenas para contar o que viveu, mas para chegar a quem esteja a atravessar momentos difíceis, lembrando que os capítulos mais duros não definem o final da história».

Em conversa com a família, decidiram avançar com a publicação, primeiro, com 200 exemplares e com apresentação e lançamento no Sebal, no concelho de Condeixa-a-Nova, aldeia que visitava com frequência na infância e onde a capela era local de oração, quando Mariana estava doente. Quando pensou onde seria o lançamento não hesitou na escolha, salienta.

Residente em Taveiro, foi desafiada a apresentar o livro também na sua terra, no âmbito das jornadas culturais, numa cerimónia que contou com a presença de alguém muito especial no percurso de Mariana Freitas, enquanto esteve doente – a médica de família, Ana Vaz -, que, aliás, assina o prefácio de “Se eu agora voltasse ao passado”. 

Junho 9, 2026 . 08:25

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