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Gastronomia e vinho fazem a festa na Cordinhã

São três dias dedicados aos dois grandes ícones da freguesia. Uma feira onde não falta um vasto programa de animação, o artesanato e o “Passeio de Pasteleiras – Rota das Adegas”

A Cordinhã prepara-se para viver três dias memoráveis com a 22.ª edição da Feira do Vinho e da Gastronomia, que celebra a tradição do bom vinho e da boa mesa que caracterizam o território. A Junta de Freguesia é a responsável pela organização, em colaboração com as associações locais e os produtores de vinho, e está apostada em imprimir uma renovada dinâmica ao certame, que tem regras e estatutos muito próprios. A inauguração acontece amanhã às 19h00.

«Aqui não entra cerveja!». Quem o diz é o presidente da Junta, fazendo valer uma das prerrogativas da organização do certame, estabelecidas desde a fundação. «O objetivo é promover os produtos da nossa terra», onde o vinho tem lugar de destaque. A Cordinhã e a vizinha freguesia de Ourentã são uma referência, situando-se como «os melhores produtores» da Adega de Cantanhede, para onde à dirigida uma boa fatia da produção, faz notar Nuno Santos. Todavia, a freguesia mantém intocável a sua tradição de bom produtor de vinho, adianta. Aliás, foi essa cultura que ditou a criação da Feira do Vinho e da Gastronomia, que celebra a 22.ª edição. Um certame destinado a promover o vinho e os produtores da freguesia, com resultados à vista. «Hoje os nossos vinhos têm uma qualidade que não tinham há 25 anos», lembra.

Feira não quer ser espaço de “grandes concertos” mas atrair um público que aprecia os “bons sabores”

Qualidade de excelência nos brancos, nos tintos, nos baga e também nos espumantes, já com marcas de renome, que a Feira teimosamente continua a defender e promover. «A pressão tem sido muita», confessa Nuno Santos, referindo-se ao “abrir a porta” à “entrada” da cerveja. O autarca local, no seu primeiro ano de mandato, rejeita liminarmente essa “abertura”, em nome do «que é nosso e nos diferencia». «Em todas as festas há cerveja», diz, e essa ausência confere à Feira da Cordinhã uma identidade própria. O Concurso de Vinhos é mais um fator diferenciador e este ano foram 22 os produtores que concorreram, cujos prémios vão ser entregues no último dia do certame. Orgulhoso, o autarca local refere os elogios feitos à organização por um membro do júri, de Almeirim, com experiência em concursos de âmbito nacional.

Bem próximos e saborosos são os pratos típicos da freguesia que as três associações – Comissão de Festas de Nossa Senhora da Saúde, RTP Tinto e Rancho Folclórico – vão servir nas tasquinhas. Um menu estatutariamente definido, em conformidade com os preceitos definidos aquando da criação da feira e que se mantêm. O leitão à Bairrada não pode falhar, mas com uma particularidade, pois aqui a batata frita “não entra”, sendo servido com batata cozida. Chanfana, negalhos, serrabulho, arroz de molho pardo de galinha velha, febras de porco e costeletas de matança, arroz de pato, galo assado no forno e carne de vinha d' alhos são outras das iguarias. Nos peixes, destaque para a sardinha, das mais diversas formas, e para o bacalhau com batata a murro. Arroz doce, filhoses, leite creme, pão de ló e folar da Páscoa garantem a sobremesa e quanto à fruta, a única disponível são peras bêbadas.

Organização quer manter a tradição associada ao vinho, onde a cerveja não tem direito a entrar

A animação centra-se na “prata da casa”, com artistas locais, desde os Gaiteiros Popular 21, fadista Gabriela, grupo Sons do Mondego, bandas Magnum, Los Fodelhos, RL5, grupos de dança Cordidance e Fénix Groove, Pequenas Vozes de Febres, grupo Ritmo Popular e DJ Heitor e Rodrigo. Domingo, destaque para o folclore, com os ranchos da Charneca (Pombal), 1.º de Maio (Tocha) e Os Esticadinhos (Cantanhede) e para o baile à moda antiga. «Tentámos fazer um programa o mais simples possível», pois o objetivo «é valorizar o vinho e a gastronomia, os nossos cabeças de cartaz», remata.

Rota das Adegas para percorrer de bicicleta, a pé ou de carro

O Passeio de Pasteleiras – Rota das Adegas, a realizar sábado à tarde (15h30), faz parte do programa do certame nos últimos dois anos. Uma iniciativa da ACRC – RTP Tinto que tem corrido bastante bem e este ano conta com a participação de cinco adegas particulares, de pequenos produtores, e da Pedro Só, esta com nome no mercado.

O evento tem este ano nuances diferentes, pois «nem toda a gente tem uma bicicleta», diz Nuno Santos, para já não falar nas clássicas “pasteleiras”. Assim, «quem quiser pode ir a pé» e conta com a companhia de um gaiteiro para animar o passeio. Também é possível fazer o percurso de carro, adianta o autarca local. A inscrição (telemóveis 915 577 154 ou 967 554 519) tem um custo de 5 euros e a organização estabeleceu um prémio, a atribuir ao participante melhor trajado à época (anos 60). Um “manequim” onde não pode faltar, lembra Nuno Santos, o «relógio de ouro pendurado nas calças».

Entrada Feira Vinho

Recinto mais atrativo e com nova oferta

«Andamos há 15 dias a preparar o recinto e alterámos bastante a sua disposição», diz o autarca local, que fala mesmo numa «mudança radical» no espaço que acolhe as tasquinhas, os stands comerciais e a dezena e meia de stands de artesanato.

Forte é a aposta num novo espaço, uma espécie de adega, com pipas e garrafas de vinho, onde quarto marcas com rótulo – Quinta de Baixo, Kompassos, O21 e Pedra Só – todas da freguesia, se apresentam com os seus vinhos brancos, tintos, baga e espumantes. Uma montra (sem venda) que atesta a qualidade dos vinhos da região. «Para o ano queremos investir bastante neste espaço, que será a montra da Feira do Vinho», diz o autarca local, apostado na valorização «do que é nosso».

«Queremos manter a tradição» e «não vamos desistir», afirma Nuno Santos, empenhado em dar um novo fôlego à feira que «nos últimos anos regrediu um bocado». Nesta sua estreia, «o executivo está a fazer o seu melhor», mas para o ano a promessa é «colocar toda a carne no assador». Inclusivamente, o presidente da Junta pensa convidar o Presidente da República a marcar presença na feira. «Se não resultar, convoco uma assembleia geral e dou o braço a torcer», remata, confiante que vai conseguir manter a cerveja longe da Feira da Cordinhã.

Investimento de 17 mil euros

Ainda sem as contas “fechadas”, o investimento da Junta de Freguesia no certame deste ano deverá oscilar entre os 15 e os 17 mil euros. «Bem menos que nos últimos anos», diz Nuno Santos, que aponta valores nunca inferiores a 25 mil euros, gastos essencialmente no programa de animação. Este ano a aposta foi diferente, num teste para «ver se resulta».

Junho 4, 2026 . 10:15

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