
“Unimos as motivações de cada um em prol de um bem maior”
Diário de Coimbra O que o fez aceitar o desafio do Almalaguês?
Fábio José Eu treinei durante muitos anos a formação, já tinha treinado praticamente todos os escalões e tinha um bocadinho a ambição de entrar nos seniores. Havia duas formas de fazer isso. Ou era num contexto mais “profissional”, digamos assim, numa Elite mas junto de alguém ou havia uma possibilidade que era deste género que era um contexto sem grande pressão. No fundo, como eu dizia a brincar, ia ser o melhor treinador dos últimos 23 anos e o pior também. O convite acaba por surgir através de um outro treinador que é meu amigo, o Rafa Paula, que está no Mocidade que sugeriu o meu nome. E acabei por vir aqui reunir com eles e aceitar o projeto.
A que sabe a conquista deste título? Surpreendeu-o?
Surpreendeu a forma como foi. Uma das primeiras perguntas que o presidente me fez, foi se com os atletas que eles já se tinham comprometido se eu achava se íamos ser competitivos e eu tinha a certeza que sim. Agora, sermos competitivos é uma coisa e ganhar um campeonato em que estamos 28 jogos sem perder, a diferença é muito grande. Acho que depois a forma como as coisas foram feitas e a forma como nos unimos foi decisiva. Todos os jogadores tinham uma motivação diferente para estar aqui, os mais velhos tinham uma motivação de serem da terra, havia miúdos que tinham uma motivação de serem daqui e de quererem crescer no clube da terra deles, havia outros que tinham uma motivação de virem comigo e de gostarem de trabalhar comigo. Unimos as motivações de cada um e procurámos um bem maior e acho que nós conseguimos fazer isso de uma forma muito interessante, muito capaz e acho que isto sabe muito bem, porque é um esforço muito grande. Jogadores que deixam as famílias em casa, outros trabalham longe e acabam por privar-se do tempo com a família para vir ao treino, nós treinadores temos de planear tudo e gerir 30 jogadores e 30 egos. Depois, acabar desta maneira, é mesmo gratificante.
Há aqui um núcleo duro de malta mais experiente e aqui da terra. Sentiu-se sempre bem acolhido?
Sempre bem acolhido. Tinha estado no Vigor na formação e acabei por ajudar o Paulo Machado nos seniores e dois dos jogadores que estão aqui, já estavam lá, o Rui Daniel e o Fachada, e eu conhecia-os. E foram as primeiras pessoas com quem eu falei. Perceber se eles vinham e em que condições vinham. Um bocado como forma de me proteger porque ter 31 anos como eu tinha quando aceitei, nunca ter treinado seniores como treinador principal e vir para um clube que é bairrista tinha muito que se lhe dissesse. Tendo o apoio de determinados jogadores é muito importante.
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