
Sentir as “dores” do que é ser sénior através de um simulador de envelhecimento
Sentir que estamos a perder a força, ao ponto de percebermos que não conseguimos subir escadas ou sentar como é suposto. Começar a perder a visão. Ter dificuldade na coordenação motora. Quem é mais velho sabe do que se trata - é a idade que não perdoa e o envelhecimento que dá sinais. O corpo deixa de responder da mesma forma que respondia e os seniores sentem isso mesmo.
Mas, e os mais novos, que têm a obrigação de preparar a sociedade para quem tem idade mais avançada, sabem o que é ser sénior? «O envelhecimento bem preparado é natural e devemos saber lidar com ele», responde Liliana Simões, presidente da Associação de Desenvolvimento Social e Cultural dos Cinco Lugares (ADSCCL), da Lousã, apresentando o Simulador de Envelhecimento, um equipamento de última geração que promete revolucionar a consciencialização acerca do processo de envelhecimento.
Na prática, explica, não é mais do que «um fato-macaco, com mecanismos incorporados que nos fazem perder a força e a mobilidade e ver menos», experienciando assim, de forma realista, as condições físicas do envelhecimento. «Ao vestir o simulador, qualquer pessoa, independentemente da sua idade, é capaz de sentir, na primeira pessoa, o impacto que o envelhecimento tem no quotidiano», explica ainda Liliana Simões.
«Mais do que um exercício de simulação, é um convite à reflexão sobre como a sociedade pode e deve adaptar-se às necessidades de todos os cidadãos»
Ao adquirir o equipamento, a ADSCCL pretende um «efeito transformador», desenvolvendo a empatia, desconstruindo preconceitos e promovendo uma cultura de respeito para com a população mais velha. «Mais do que um exercício de simulação, é um convite à reflexão sobre como a sociedade pode e deve adaptar-se às necessidades de todos os cidadãos», diz ainda a dirigente.
Desde que está ao serviço da associação, o Simulador de Envelhecimento tem tido uma adesão notável, por novos e não só, por pessoas da comunidade, responsáveis de empresas e escolas. E as reações têm sido de surpresa, reflexão e empatia. «Os miúdos ficam com uma visão diferente sobre o envelhecimento, os mais velhos, na casa dos 60, assustam-se porque sentem que podem ficar numa situação mais difícil do que aquela em que já estão», revela Liliana Simões.
O objetivo não é meramente lúdico, pelo contrário, a ADSCCL pretende com este novo equipamento «que os jovens se preparem para combater as consequências negativas do idadismo» e que a sociedade se adapte às necessidades dos mais velhos. «Há muitos ajustes a fazer, quer nas nossas próprias casas, prevenindo, quer ao nível dos serviços, circulação e acessibilidades», explica Sandra Simões.
O Simulador do Envelhecimento foi adquirido no âmbito do projeto Rede Cuidas+, que tem como missão fortalecer a rede de apoio à população sénior e aos seus cuidadores, promovendo o envelhecimento ativo, digno e inclusivo.












