
Mulheres na Medicina passaram da invisibilidade à centralidade
Celebrar o caminho que foi feito por mulheres, ao longo de 100 anos, para que o exercício da medicina no feminino «não seja uma exceção, mas sim essencial», feito com «sensibilidade, humanismo e dedicação», foi o que aconteceu ontem, ao final da tarde, na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, na sessão “100 anos de Medicina no Feminino em Portugal”.
Uma sessão que contou com a intervenção de três médicas que abordaram temáticas como as questões de género, da invisibilidade e da centralidade da mulher na Medicina ou ainda da capacidade de decisão da mulher de tomar a dianteira, no que ao exercício da profissão diz respeito.
Joana Delgado Silva, médica especialista em Cardiologia, falou da sua experiência, referindo que «a grande exigência da profissão, sobretudo em cargos de direção, torna mais difícil a conciliação com a vida familiar, sobretudo na fase mais exigente, que coincide com a maternidade». No entanto, deixou uma palavra de esperança, afirmando que «o próximo passo começa em nós».
Já Teresa Almeida Santos, especialista em Ginecologia e diretora do Departamento da Mulher, da Criança e do Recém-Nascido da ULS Coimbra, escolheu o tema “Da invisibilidade à centralidade”, para falar do percurso de muitas mulheres que se dedicaram à Medicina, mas que foram relegadas para a invisibilidade, pois a Medicina «era um território de homens». Para tal citou algumas dessas mulheres, como Virginia Apgar, uma médica americana que propôs o método simples para avaliar o risco imediato de recém-nascidos, conhecido pelo índice Apgar, «um gesto simples ainda hoje usado e que salva vidas». Teresa Almeida Santos lembrou ainda Adelaide Cabete, que se formou em medicina em 1900 e se dedicou à saúde materno-infantil e ainda Beatriz Ângelo, licenciada em 1889, foi a primeira mulher cirurgiã e a primeira mulher a votar em Portugal.
De um tempo mais recente, Teresa Almeida Santos lembrou a sua avó materna que, apesar de se ter licenciado em Medicina, foi assistente e exerceu a profissão «na invisibilidade». Todas estas mulheres, tal como as restantes homenageadas - na totalidade são 12 – representam o caminho que se foi fazendo ao longo de 100 anos, passo a passo, conquista a conquista, geração após geração», para que hoje «cada mulher que veste a bata branca» seja sinónimo de que «o seu papel na medicina é essencial», para um exercício com «sensibilidade, humanismo e dedicação», mas que seja também um alerta para enfrentar os ainda atuais «desafios silenciosos», como «as escolhas adiadas», em virtude de missões que são exclusivas das mulheres, como o aleitamento, mas também com o acompanhamento dos filhos.|
Homenagem a pioneiras na Medicina
pois da tertúlia, seguiu-se a homenagem a 12 médicas, três das quais estiveram presentes e a quem Teixeira Veríssimo, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, agradeceu a disponibilidade. Maria Amélia Ferreira, Catarina Oliveira e Raquel Duarte, três médicas «com um percurso excecional», foram presenteadas com uma lembrança.
Rosa Rebelo, médica especialista em Pediatria e membro da organização, explicou a escolha das homenageadas. Quatro do dealbar do século (Domitília de Carvalho, Adelaide Cabete, Beatriz Ângelo e Elisa Andrade), quatro do período antes do 25 de abril ( Laura Ayres, Purificação Araújo, Catarina Oliveira, Ângela Brito de Sousa) e quatro do pós 25 de abril (Maria Amélia Ferreira, Eva Xavier, Maria do Carmo Fonseca e Raquel Duarte)
Seguiu-se depois a inauguração de uma exposição que dá a conhecer «o traço artístico de três médicas: Filomena Correia (pintura e escultura), Helena Oliveira (pintura) e Maria do Carmo Cachulo (literatura e fotografia).|













