
“Estaleiro Aberto” revela pormenores das obras em curso no Colégio das Artes
Encerrado desde finais de janeiro, devido aos efeitos da depressão Kristen, o Colégio das Artes abriu as portas a um grupo de visitantes que quis ver de perto as obras em curso da empreitada de reabilitação da cobertura e fachada norte (fase 1), já programada, antes das consequências do mau tempo.
“Estaleiro Aberto” abriu a programação da edição de 2026 de Sons da Cidade, promovida pela Associação RUAS (Recriar a Universidade, Alta e Sofia), que celebra o 13.º aniversário da inscrição da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista de Património Mundial da Unesco.
Bruno Bairrão, arqueólogo da Universidade de Coimbra, e técnicos da Teixeira Duarte - Engenharia e Construções, deram a conhecer aos participantes particularidades do projeto, como a desconstrução (demolição) do volume anexo em betão armado e de dois torreões “falsos” de remate na galeria do claustro.
«Esta iniciativa Estaleiro Aberto surgiu da identificação de uma necessidade que aconteceu na sequência da revisão do plano de gestão de aproximar a comunidade em geral do património edificado, sobretudo na fase em que ele está menos visível e menos acessível, que é o contexto de obra», explicou Bruno Bairrão, ao salientar ainda que é objetivo «mostrar» como «a Universidade se preocupa com o património edificado».
Requalificação vai decorrer por fases e, nesta primeira empreitada, está prevista demolição de bloco em betão
Antes de iniciar a visita pelo Colégio das Artes, com as devidas medidas de segurança acauteladas, Bruno Bairrão lembrou que as obras em espaços classificados Património Mundial da Unesco são mais «difíceis» e representam «responsabilidades acrescidas».
«O Colégio das Artes não foi escolhido ao acaso. De facto, a escolha adveio de vários fatores: o primeiro, o facto de ser um local que está a ser intervencionado, o segundo é o facto de ser um edifício classificado e o terceiro: tem uma relação profunda com a Universidade», adiantou.
Recorde-se que a empreitada (fase 1) representa um investimento de 3,7 milhões de euros e deve estar concluída em 2027, incidindo na ala norte do edifício, aquela que estava identificada como a que apresentava problemas estruturais mais preocupantes.
Ainda no exterior do edifício. os participantes ficaram a saber que, durante a intervenção, serão replicados materiais utilizados na construção deste edifício, que data de 1568, e, já no interior, perceberam como será a criação de três salas de projeto na ala norte.
Recorde-se que o Colégio das Artes é “a casa” do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin e do início da empreitada de requalificação em curso, está, atualmente, a funcionar noutros espaços da Universidade de Coimbra.
A programação do evento cultural Sons da Cidade dedicada, nesta 13.ª edição, ao tema “Ecos do passado: de Alcáçova à Rua da Sabedoria”, decorre até à próxima segunda-feira, com propostas multidisciplinares que dão a conhecer a resiliência do património e os impactos da inteligência artificial.
Visitas guiadas pelos colégios da Rua da Sofia
Hoje e amanhã, das 15h00 às 17h00, estão previstas duas propostas de visitas guiadas: “Entre claustros e história: o património da Rua da Sofia”, com Cecília Mendes, e “De Santa Cruz à Sapiciência: o legado crúzio em Coimbra”, com Pedro Peixoto e Raúl Mendes.
A digitalização de bibliotecas históricas na era da inteligência artificial é tema de simpósio internacional no Colégio da Trindade.











