
Mostra de doçaria ganha mais espaço no Convento
A Mostra de Doçaria Conventual e Contemporânea de Coimbra, que nas últimas edições tem vindo a crescer e a cativar milhares de pessoas, vai voltar ao Convento São Francisco nos dias 28 de fevereiro e 1 de março. A XV edição, que conta com 46 doceiros nacionais e internacionais, foi pensada para o público, com mais espaços e iniciativas que tornam a circulação mais fluída e preenchida.
Com um «caminho já muito sustentado», a mostra de Coimbra «é, sem arrogância, o evento mais importante a nível nacional» no âmbito da doçaria conventual e contemporânea, assinalou ontem Margarida Mendes Silva. A vereadora da Cultura, que falava em conferência de imprensa de apresentação da XV edição, descreveu a iniciativa dedicada ao património doceiro como evocação do «saber-fazer, da memória coletiva», da economia local, «mas também abrindo horizontes, oportunidades para a criação contemporânea» na área da doçaria.
Com os parceiros habituais, Associação de Doceiros de Coimbra (ADOC) e Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC), a Câmara procura dar visibilidade aos agentes económicos do território, com a preocupação de pensar a dimensão conventual e contemporânea «de uma forma cuidada para se relacionar e coexistir com o Convento de São Francisco», equipamento histórico que está também ao serviço da modernidade e «fomenta a criação, divulga e apoia a criatividade».
A mostra foi preparada com «uma aposta muito particular este ano», acrescentou a autarca, referindo-se à vertente do «público», que tem aderido «de forma cada vez mais surpreendente de edição para edição». «Quase que duplicámos o espaço da mostra», que irá ocupar, como habitualmente, a igreja, os claustros e praça de restaurante, estendendo-se, agora, às salas Aeminium e Conventual, disse, antevendo que será uma oportunidade para os visitantes circularem com tranquilidade e assistir «às várias sessões que acontecem em simultâneo, seja um workshop, um showcooking, uma conversa ou uma prova».

Pensada com «uma visão holística», a mostra envolve a apresentação de livros pela livraria Bruaá, sediada no Convento, incluiu programação artística, e dá também visibilidade a outras áreas do saber-fazer da região, como, entre outras, a tecelagem de Almalaguês e faiança de Coimbra (Sala Aeminium). O objetivo, apontou, Margarida Mendes Silva, é chegar «a um público mais vasto», porventura franjas que não conheçam o espaço.
Ao todo vão estar presentes 46 doceiros, 41 dos quais de todo o país, incluindo Madeira e Açores. Os cinco internacionais vêm de cidades geminadas com Coimbra: Aix-en-Provence (França), Sumy (Ucrânia), Zamora, Santiago de Compostela e Salamanca (Espanha). Também representantes do património alimentar estarão presentes duas cervejeiras e produtores de licores.
Pelo Convento São Francisco andará também a animação dos Dixie Gringos, dos Drama & Beiço ou dos Folhas de Pêssego. A vereadora destacou ainda o concerto de Vitorino no grande auditório (18h00 de domingo), que encerrará a XV edição.
No único evento pago, com bilhetes entre 21 e 25 euros (mas com desconto de 40% para quem tiver Cartão Amigo do Convento), o cantor celebra “50 anos a Semear Salsa ao Reguinho” (disco de 1975), estando prevista a participação de músicos e artistas de Coimbra.
O investimento municipal é de 77 mil euros, mais 25 mil do que na anterior edição.

Pôr as “mãos na massa” e adquirir conhecimento
Ricardo Paiva, presidente da ADOC, destacou o caráter cada vez mais inclusivo da mostra, desenhada para todas as faixas etárias e com oferta diversificada. A edição deste ano é dedicada à arrufada, com várias abordagens a este doce conventual típico de Coimbra. Serão doceiros a falar do que sabem, afirmou, ao anunciar que na manhã de domingo haverá uma oficina para crianças dos dois aos 12 anos, que vão aprender a fazer arrufadas. “Mãos na massa: Arrufada” será orientada por Gabriel Fonseca.
Também presente na conferência de imprensa, José Marques, diretor da EHTC, associou o sucesso do evento, hoje «um projeto sólido», ao trabalho de muitos anos, de planeamento e, no final, de avaliação. A mostra pretende «crescer em quantidade e qualidade», ter conforto na visitação, frisou, antes de apontar o conhecimento científico que o certame também divulga, mormente no trabalho de inovação sobre a tradição.











