
Arguida confessa tentativa de matar filho no Pediátrico
A mãe de um menino de cinco meses – na altura dos factos, agora com um ano e três meses - confessou ontem perante o coletivo de juízes do Tribunal de Coimbra a tentativa de matar o filho que se encontrava hospitalizado no Pediátrico. A arguida, com 20 anos, atualmente em prisão preventiva, prestou declarações à porta fechada, solicitando ao Tribunal no início do julgamento que se sentia «inibida de prestar declarações sobre o caso com outras pessoas a assistir», informou o presidente do coletivo.
«O tribunal considerou que se justificava afastar as pessoas da sala» para poder ouvir o depoimento da arguida, explicou o presidente do coletivo, quando a sessão foi reaberta. O Diário de Coimbra, porém, conseguiu apurar que a mulher contou momentos da vida privada, não só como tentou matar o filho na unidade hospitalar de Coimbra mas também a relação familiar que existia entre ela e o companheiro na altura em que a criança nasceu. Perante a confissão da arguida, o coletivo dispensou as testemunhas, passando, de imediato, para as alegações finais. No final, a advogada da arguida analisou o depoimento da sua “cliente”. «A senhora confessou integralmente e livremente, de forma livre, os factos todos que vinham na acusação. Houve várias motivações que levaram a senhora a cometer este crime. Uma delas, na minha opinião, uma depressão não diagnosticada logo após o nascimento do seu filho, que culminou numa depressão», frisou a advogada de defesa.
«Claro que não nos podemos esquecer a frieza do tipo de crime que estamos aqui a analisar, mas também não nos podemos esquecer nunca da possibilidade, ou de considerarmos, muito as circunstâncias que também podem atenuar essa pena», sublinhou.
Recorde-se, segundo o despacho do Ministério Público (MP), a arguida, tentou, por duas vezes, tirar a vida ao seu filho que estava internado nos Cuidados Intensivos do Hospital Pediátrico de Coimbra. O caso passou-se quando o bebé de apenas cinco meses por sofrer de uma doença genética grave esteve internado por diversas vezes e sujeito a procedimentos médicos, como uma traqueostomia para proteção da via aérea.
Durante o internamento no Hospital Pediátrico de Coimbra a mãe acompanhou em permanência o filho, ficando alojada na área residencial do hospital. Como resume o MP nas duas ocasiões, a arguida quis impedir o fluxo respiratório do seu filho, com o intuito de lhe causar a morte, e só não logrou os seus propósitos por decorrência da assistência médica imediata que a vítima recebeu após acionamento do alarme do monitor multi-parâmetro instalado na Unidade de Cuidados Intensivos.












