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Prostituição em Coimbra encoberta por massagens chega a tribunal

Coletivo de juízes começou ontem a julgar duas mulheres, um homem e uma empresa pela prática dos crimes de lenocínio

Começou ontem, “à porta fechada”, no Tribunal de Coimbra, o julgamento de um caso de crime de lenocínio praticado sob o disfarce de massagens. São três os arguidos individuais, duas mulheres e um homem, e ainda uma empresa, associada a uma das mulheres.

O caso remonta a 2018, com os três arguidos a arquitetaram um plano para o recrutamento de mulheres, recorrendo à publicação de anúncios num jornal diário e online. Seguiu-se a necessária formação prévia às seis candidatas selecionadas e o início da atividade.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), a «atividade de prostituição, sob o artifício de massagens, ocorria em quatro espaços diferentes, explorados pelos arguidos», designadamente em lojas localizadas na Quinta da Várzea e no Centro Comercial D. Dinis, em Coimbra, na Praceta Dr. Joaquim Lopes Feteira, na Figueira da Foz, e na Rua Álvaro Pires de Miranda, em Leiria.

Nas montras de cada um dos espaços, todas idênticas, constavam os números de telemóvel das duas arguidas, «através dos quais os clientes as contactavam», refere a acusação. Os mesmos números «figuravam, ainda, em sites e anúncios de acompanhantes e de prática de serviços de prostituição», ainda de que «forma não expressa», aparentando tratar-se de «massagens».

Aos quatro estabelecimentos acorriam, desta forma, segundo o MP, «inúmeros indivíduos do sexo masculino», que depois de tocarem à campainha «eram encaminhados pelas ofendidas para os gabinetes, onde praticavam os atos sexuais solicitados», recebendo, depois o «pagamento em numerário».

A tabela de “serviços” apontava três situações à escolha, designadamente massagens em que as mulheres usavam «apenas uma bata», «vestiam apenas lingerie», ou «se apresentavam nuas», versão esta que incluía «descompressão manual», «atos masturbatórios e/ou práticas sexuais». A tabela de preços variava entre os 60 euros, para o primeiro caso, 80 para o segundo e de 120 a 150 para a terceira situação. «As ofendidas ficavam com 50% do valor para si e entregavam o remanescente» aso três arguidos, «o que faziam diariamente». Cada uma das funcionárias «podia auferir uma média mensal de dois mil euros», segundo o MP.

Os quatro estabelecimentos funcionaram em pleno até 2020, altura em que foram forçados a encerrar, divido à pandemia. Depois disso só a loja da Quinta da Várzea, em Coimbra, voltou a funcionar.

Os arguidos estão acusados de seis crimes de lenocínio, tantos quantos as funcionárias que tinham ao seu serviço. Ontem, na primeira sessão do julgamento, as duas mulheres mantiveram-se em silêncio. O homem falou para negar os factos.

Setembro 24, 2025 . 08:00

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