
Jorge Conde fala sobre possível futuro fora do IPC e política é uma possibilidade
A título pessoal, fecha-se um ciclo. São quase 18 anos ligado a órgãos de gestão do IPC. Que balanço faz destes anos?
O balanço é positivo e o facto de os 18 anos terem uma divisão ajudou a que fossem possíveis. Se estaria 18 anos à frente do IPC? A resposta é não. A limitação de mandatos para mim é pessoal, não institucional. Nunca fiz mais dois mandatos consecutivos. Para tudo determinei que havia um período. Quando saio da ESTeSC, a aprendizagem que fiz e ter sido presidente de escola com assento no Conselho de Gestão foi determinante para perceber o que era possível fazer pelo IPC e para que tivesse vontade de dar esse salto. Num caso e noutro, cumpri o dever que me foi atribuído e honrei o facto de me terem deixado ser presidente do Politécnico. Tinha chegado o tempo de sair, de dar a oportunidade a outras pessoas com ideias frescas e outro dinamismo que alguém há muito tempo no cargo já não terá. Portanto, chegou a altura de fazer outra coisa. Irei seguramente fazer outra coisa. Antes que me pergunte vou dizer que não sei o quê.
Ia perguntar, claro… O que é que o futuro reserva a alguém com o seu espírito de fazer e de concretizar coisas?
Não está decidido. Disse sempre que ia ser presidente até ao último dia. Estarei centrado nisso até ao último dia. No dia seguinte começarei a planear o que vou fazer a seguir. E pode passar, por daqui a um ano, voltar à minha escola e terminar lá a minha carreira enquanto professor, mas pode caminhar num outro sentido completamente diferente. Mas, se caminhar no sentido do que tenho feito nos últimos 18 anos, no sentido da gestão, ela acontecerá obrigatoriamente fora do Politécnico de Coimbra e do Ensino Superior. Não voltarei a exercer cargos no Politécnico de Coimbra e também não me apetece fazê-
-lo no Ensino Superior. Teria que ser um desafio muito interessante, numa instituição muito interessante para que isso acontecesse. A ideia é que poderei aproveitar o know-how para fazer coisas fora do Ensino.
Continuará na vida pública?
Tenho muitas ideias sobre muitas coisas e, portanto, gostaria. Há coisas que sei que não quero fazer. Que não me atraem. E não é por demérito da função, é porque não me atraem. Há outras que, se surgirem, seguramente não direi que não. Mas se me perguntar se sei o que vai fazer, não sei. Vou serenamente deixar que o destino determine.
Política é uma possibilidade?
Um cargo político, dependendo do cargo , é uma possibilidade. Há cargos que seguramente não quero. E não quero porque não me atraem, não tem a ver com demérito do cargo. Não me atraem, há coisas que eu não gostaria de fazer. E há outras coisas que eu gostaria de fazer. Há muitos cargos que eu gostaria de fazer e se essa oportunidade surgir aceitarei. Estamos, para mim, em contraciclo, mas se a oportunidade surgir, estarei disponível.











