Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Unicafarma 20260601
Pub Dc Facit26 20260609
Caminhada Légua
Pub

Petição quer travar instalação de central solar flutuante na Barragem do Cabril

Na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República e à ministra do Ambiente e Energia, os subscritores chamam a atenção para a necessidade “de proteger a paisagem natural desta zona, assim como evitar a sua descaracterização através de uma instalação com elevado impacto”

Uma petição subscrita por cerca de 1.750 pessoas quer travar a instalação de uma central solar flutuante na Barragem do Cabril, no concelho de Pedrógão Grande, disse hoje o promotor da iniciativa.

“Travar a instalação é objetivo primordial”, afirmou à agência Lusa Nuno Fernandes, que há cerca de seis meses lançou a petição, disponível na Internet, que decorre em paralelo com um abaixo-assinado em papel.

Segundo Nuno Fernandes, a iniciativa visa também “sensibilizar a população e alertar para situações semelhantes que possam surgir e com impacto ambiental” idêntico, além de “gerar um debate à volta deste tema em termos de futuro”.

“Não vale tudo em relação à produção de energia”, declarou.

Na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República e à ministra do Ambiente e Energia, os subscritores chamam a atenção para a necessidade “de proteger a paisagem natural desta zona, assim como evitar a sua descaracterização através de uma instalação com elevado impacto”.

“Esta área é atualmente uma zona de lazer, utilizada pelos cidadãos para a realização de atividades náuticas, mas não só”, referem, considerando que “esta instalação eliminará o fator de atratividade desta área, assim como todo o seu potencial turístico”.

Por outro lado, alertam para “o impacto ambiental, no que diz respeito ao aquecimento anormal das águas” do Zêzere e na biodiversidade, lembrando que aquele é “também um rio de captação de água para consumo público”.

Citando a Constituição, na parte relativa ao ambiente e qualidade de vida, o grupo de cidadãos apela para que “se impeça este crime ambiental e paisagístico”.

O projeto de instalação de uma central solar flutuante que abrange também Sertã (Castelo Branco) e Pampilhosa da Serra (Coimbra), concelhos que partilham a albufeira de Cabril, é da Voltalia, que conquistou o projeto de energia solar flutuante na Barragem do Cabril, para uma área de 33 hectares.

A central vai fornecer energia verde para um volume equivalente ao consumo de 70.300 habitantes, esclareceu a empresa em abril de 2022, explicando que “a capacidade instalada será entre 33 MW [megawatt] e 40 MW, dependendo da otimização final do projeto”.

“O projeto do Cabril surgiu de um leilão público, por isso, sabemos, naturalmente, que o Governo também teve em conta todas as preocupações antes de lançar esta oportunidade ao mercado, uma vez que um procedimento deste género só é possível em estrito alinhamento entre o Governo, o município e os órgãos locais”, disse então o responsável da empresa em Portugal, João Amaral, assegurando que “a Voltalia vai trabalhar por ter o menor impacto ambiental possível”.

Num ponto de situação, a empresa fez agora saber que o projeto de instalação de painéis solares fotovoltaicos flutuantes na Barragem de Cabril está em fase de avaliação ambiental, “onde estão a ser cumpridos todos os requisitos ambientais e regulatórios”.

“Este projeto é proposto para proporcionar uma solução de produção de energia limpa e sustentável, com impactos ambientais significativamente menores em comparação com infraestruturas de grande porte, como a própria barragem”, referiu, numa informação escrita.

Ainda segundo a empresa, “a instalação dos painéis solares está planeada através de flutuadores posicionados de forma simples e eficiente, sem necessidade de desflorestação ou intervenções invasivas”.

“Os equipamentos utilizados são livres de contaminantes e dispensam postos de transformação flutuantes, eliminando assim qualquer risco de poluição química”, referiu.

Quanto a manutenção do parque, vai ser “realizada com barcos elétricos”.

“As áreas selecionadas para a instalação encontram-se fora de zonas turísticas e não comprometem a navegabilidade da albufeira, preservando atividades recreativas e utilitárias, bem como a operação da central hidroelétrica”, garantiu, acrescentando que “as zonas de captação de água para combate a incêndios permanecerão preservadas e totalmente funcionais”.

Em abril, a Câmara de Pedrógão Grande deu parecer negativo à instalação da central, considerando que terá um “gravíssimo impacto negativo” no concelho.

Três meses depois, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que integra Pedrógão Grande e mais nove municípios, anunciou estar a ponderar avançar com uma ação judicial de suspensão de eficácia das decisões da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) se o parecer desta for favorável, intenção reiterada hoje.

A Lusa fez um pedido de informação à APA em 11 de novembro e não obteve resposta.

Dezembro 17, 2024 . 18:26

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right