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Vítimas demoram em média 6 anos até denunciar violência

Agentes da PSP de Coimbra chamam a atenção para os sinais de alerta e frisam que a denúncia pode salvar muitas vidas

Até quando posso fazer queixa de um crime de agressão sexual? Porque é que em situações de violência doméstica é a vítima, muitas vezes, que tem de sair de casa? Apercebo-me que há violência na casa dos meus vizinhos, devo denunciar? As dúvidas são muitas, mas os agentes de policiamento de proximidade da PSP de Coimbra estão prontos para esclarecer e ajudar.

No âmbito da iniciativa nacional “A violência fica à porta”, o chefe Ricardo Amaro, o agente principal Melo e o agente principal Caetano estiveram ontem à tarde na Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais numa ação de sensibilização, porque, como referiu Carla Agostinho, do executivo da Junta de Freguesia, «falar de violência é falar de prevenção, é estarmos atentos aos sinais». «Cabe-nos a nós zelar pelas pessoas que sofrem violência», acrescentou a responsável pelo pelouro da acção social.

Quem assistiu à sessão não ficou indiferente ao desabafo de uma mulher, vítima de violência por parte do companheiro. Em dezembro viveu uma noite de verdadeiro terror na localidade onde morava, fugiu de casa e teve de se esconder, até receber ajuda e, mais tarde, ser encaminhada para a Anajovem, associação onde se sente «segura».

Num ano em que já morreram 24 mulheres vítimas de violência doméstica e sabendo que, em 2025, foram denunciados cerca de 25.300 casos - mais de 300 em Coimbra - , os agentes explicaram quais são os sinais de alerta, os tipos de violência doméstica, como denunciar este crime e os mecanismos de apoio e acompanhamento às vítimas.

«Segundo os entendidos, os números de violência da pandemia estão a refletir-se agora com aumento de queixas», salientou Ricardo Amaro, coordenador do Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade (MIPP), frisando que, em média, as vítimas só denunciam ao fim de seis anos, em média.

Também por isso, importa que cada um esteja atento aos sinais, porque o chavão de que “entre marido e mulher não se mete a colher” faz parte do passado, sem esquecer, que há cada vez mais casos de violência de filhos a pais ou avós.

Todos «têm o dever de denunciar», acrescentaram os agentes, salientando que, muitas vezes, sofrem em silêncio, «por vergonha ou por medo» e até «pedem por amor de Deus para não se fazer queixa».

Os agentes chamaram também a atenção para o ciclo da violência - que pode ser física, sexual, psicológica, emocional ou económica -, que começa com a agressão, seguindo-se a reconciliação com o agressor a pedir desculpa e a prometer que não volta a acontecer. Há o chamado período de acalmia e a «escalada de tensão», que culmina em novos atos de violência.

Veja o Vídeo:

Janeiro 24, 2026 . 08:00

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