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"A humildade vale mais do que a generosidade"

Na saudação à Rainha Santa, o padre Pedro Miranda apelou a uma sociedade menos egoísta e pediu que ninguém deixe de cuidar dos mais frágeis.

Humildade e generosidade são características que, facilmente, os devotos associam à Rainha Santa e, partindo de versos do Livro de Ben-Sirá, o padre Pedro Miranda, na saudação à padroeira, na Ponte de Santa Clara, em Coimbra, na noite de quinta-feira, destacou que «a humildade é ainda mais estimável do que a generosidade» e ainda «uma força poderosa que nos abre a inteligência e a alma para conhecermos o que mais importa».
«Se atentarmos bem, a generosidade através do que simplesmente nos sobra ou até nos sobrecarrega é generosa, sim, mas não é credora da mesma estima, claro, que a generosidade na carência, isto é, através do que também a nós faz falta. Se, aliás, partilharmos e formos generosos sempre e só com o que nos sobra ou até nos sobrecarrega, correremos o risco de aparecermos aos olhos dos outros como apenas motivados pela aceitação e reconhecimento geral», salienta, frisando que Isabel de Aragão, que sendo rainha, «a primeira e mais decisiva impressão» que causou no seu povo foi a «forma tão humilde» como se comportou e que continua a ser «um exemplo a seguir».
Nos tempos que correm, «enchemo-nos de preconceitos em relação à lei revelada e mandada por Deus e inscrita no nosso coração» e «fantasiamos em busca de descansarmos a consciência no erro e no engano», critica. «E por isso descartamos em vez de cuidarmos, no princípio da vida ainda antes do nascimento, e no final da vida; deixamos que a nossa alma seja tomada pela pequenez mesquinha, contrária à grandeza de alma, no sentido do que diz o poeta, que “tudo vala a pena quando a alma não é pequena”».
Mas, considera Pedro Miranda, «reconhecemos que nos temos feito, por vezes, colectivamente, alma pequena».
«Valei-nos e defendei-nos de tal, querida Santa Isabel, defendei-nos de cairmos na alma pequena, por exemplo e ainda, a de evitar visitar idosos nos lares por virmos de lá mal dispostos, a de evitar visitar um amigo ou familiar doente grave ou mesmo terminal, por— diz-se— querer guardar para o futuro a boa imagem, a boa recordação daquela pessoa… Valei-nos, Rainha Santa, pela vossa intercessão guardai-nos de apequenar assim a nossa alma, já que vós a tivestes e tendes tão grande… porque humilde», conclui. |

Julho 10, 2026 . 07:30

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