
Música ganha mais encanto e harmonia universal em Coimbra
75 jovens músicos, oriundos dos quatro cantos do mundo, estão em Coimbra para uma experiência diferente, inteiramente profissional, que promove o talento num ambiente imersivo, de criação, interpretação e partilha. Trata-se da Mondego International Music Academy, que decorre pelo segundo ano consecutivo, numa iniciativa da Associação Momentos à Corda , que pretende ser um marco na formação da próxima geração de músicos, maestros e compositores.
O programa começou dia 2 e os dois primeiros dias foram passado no Pavilhão Centro de Portugal, com uma orquestra singular, constituída por músicos de 17 nacionalidades, a ensaiar a “Última Sinfonia” de Tchaikovski e a sinfonia ”Do Novo Mundo”, de Dvorák, que vão ser apresentadas, respetivamente, em dois concertos para o público. Foi num desses ensaios, ontem ao final de manhã, que o Diário de Coimbra falou com Sara Ristanovic, uma jovem violinista sérvia, de 22 anos, que estuda na Áustria. É a sua primeira viagem a Portugal e as primeiras impressões não podem ser mais positivas. Está a participar numa masterclass de Direção e considera esta «experiência de trabalho em conjunto, lado a lado com músicos e professores de organizações de toda a Europa» uma «oportunidade única» em termos de formação e enriquecimento pessoal.

Praticamente a “jogar em casa” está Bruno Vicente, de 26 anos, natural da Figueira da Foz. Começou por estudar composição, passou pela Escola Superior do Porto e está há cinco anos em Roterdão. A sua verdadeira paixão é direção de orquestra e tinha acabado de “passar no teste” com o maestro Gustavo Gimeno.
«Deu-me indicações para me abrir, ser eu próprio», fiz. Está feliz com o ambiente «inspirador» que se vive, com as aulas de direção, com e sem orquestra. Um registo intenso, desde as 10h00 às 19h00, mas em tudo excelente. «Não é todos os dias que se tem uma orquestra extraordinária como esta e professores de renome», afiança. Se for possível, quer voltar para o ano. Já ficar no país a “estória” é outra, pois reconhece que as «oportunidades» nos Países Baixos são completamente diferentes, mas nada se compara à «qualidade de vida de Portugal».
O projeto tem três vertentes essenciais, explica o maestro e diretor artístico, Nuno Coelho, que comportam as três áreas fundamentais da criação artística, a saber: Orquestra, Direção e Composição. Um trabalho desenvolvido em masterclass e workshop, onde músicos e professores, jovens talentos e artistas consagrados, trabalham lado a lado, partilhando experiências e desenvolvendo técnicas.
Maestros, compositores e instrumentistas fazem parte de um todo que é a música, sublinha o diretor, que entende ser importante perceber que «todas estas áreas se interligam», pois «não há música sem compositores, não há compositores sem músicos» e o mesmo se aplica ao maestro, que funciona como o “motor” desta arquitetura.

Para Nuno Coelho este evento também é importante para «quebrar barreiras entre alunos e professores», promovendo uma aprendizagem partilhada e com alguma informalidade, com professores de referência, ligados a orquestras de Londres, Paris, Roterdão, Gotemburgo ou Gulbenkian.
Coimbra, na opinião do maestro, concentra um conjunto de respostas que tornam este evento possível, a começar pelo facto de ser «uma cidade muito cultural», que «tem instalações – para acolher, ensaiar e fazer os concertos – e é uma cidade aberta, recetiva à componente formativa e aos concertos». Os jovens estão alojados no Seminário Maior e os professores no Hotel Botânico. Os ensaios decorrem, a partir de hoje, no Conservatório de Coimbra.

Projetar Coimbra no muno inteiro
Tiago Anjinho também é músico, violoncelista, mas aqui assume-se como responsável pela organização. Diretor da Associação Momentos à Corda, divide-se entre a Alemanha e a sua cidade natal, Coimbra, que lhe “enche as medidas”.
«Coimbra é a cidade perfeita», diz, e por isso se empenhou neste evento, que também pretende projetar Coimbra no mundo, pois 70% dos participantes são estrangeiros e acredita que se vão apaixonar por Coimbra e querer voltar. A experiência dos primeiros dias dá-lhe razão, mas espera ir mais longe, com uma visita à cidade, ao concerto de Rui Veloso e à Procissão da Rainha Santa.
Concertos em Coimbra e na Lousã
A residência artística é também o “espaço de ensaio” de dois concertos da orquestra, o primeiro domingo, no Convento de São Francisco, em Coimbra, integrado nas Festas da Cidade, e o segundo no dia 10, termino do evento, no Teatro Municipal da Lousã.










