
"Caos" atrasos e dezenas de falhas na correção dos exames nacionais
Professores e sindicatos relataram dezenas de falhas no processo de correção digital dos exames nacionais de 2026, descrevendo a situação como um "caos" e exigindo esclarecimentos urgentes por parte das entidades responsáveis.
Até às 13:00, o site criado pelo movimento cívico MetaPROF registava 59 casos reportados por docentes, reunindo testemunhos, falhas na realização e problemas na classificação das provas, bem como modelos de reclamação formal dirigidos ao Júri Nacional de Exames (JNE), Ministério da Educação e Provedoria de Justiça.
O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop) afirmou que "a realidade demonstra que o sistema educativo português enfrenta hoje uma grave crise organizacional nunca antes vista".
Entre as falhas apontadas pelos professores destacam-se atrasos na disponibilização das credenciais para aceder às provas, convocatórias de docentes de outras disciplinas, professores reformados e até falecidos para a tarefa de correção, além de folhas de resposta atribuídas ao mesmo aluno com caligrafias diferentes, exames com páginas em falta e respostas incompletas.
O JNE explicou que o processo de preparação para a classificação digital dos exames está "em fase de recuperação, após algumas dificuldades técnicas", mas estas justificações não convenceram os professores.
A Federação Nacional da Educação (FNE) sublinhou que "quando estão em causa processos de avaliação com impacto direto na vida académica e profissional de milhares de alunos e docentes, qualquer falha assume uma gravidade acrescida e exige uma resposta proporcional".
Esta federação exige esclarecimentos urgentes ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) sobre a dimensão e as causas dos problemas detetados, as medidas para os corrigir e não descarta o apuramento de responsabilidades políticas e de gestão, "incluindo a substituição dos responsáveis pela condução do Instituto".
O Stop apontou "incompetência política e administrativa" e alertou para os impactos no acesso ao ensino superior e na preparação do próximo ano letivo devido aos atrasos na classificação das provas.
O sindicato referiu ainda que "muitos alunos correm o risco de ver o seu trabalho avaliado de forma deficiente por docentes pressionados por prazos impossíveis ou, pior, sem habilitação legal específica para aquela disciplina" e que a "confusão generalizada" cria "profunda injustiça e desigualdade no processo de avaliação".
O movimento SOS Escola Pública relatou "falhas graves" na implementação e classificação das provas, atribuindo parte dos problemas à substituição "à pressa" do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), "apenas para se dizer que se está a reformar".
Acrescentou que "professores e diretores que tentam manter à tona a escola pública no meio do caos que se vive em plena época de exames são acusados de escamotear a incompetência alheia e a falta de noção para brincar às experiências na véspera de um momento tão importante na vida dos alunos".
Os exames nacionais continuam a realizar-se em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, um processo que deverá estar concluído até 10 de julho.
A primeira fase dos exames decorreu entre 16 e 26 de junho, seguindo-se a segunda fase entre 16 e 22 de julho.
As notas da primeira fase estão previstas para serem divulgadas a 14 de julho, sendo que a 20 de julho começam as candidaturas para os alunos que desejem prosseguir estudos no ensino superior.











