
Fenprof denuncia persistência do défice de docentes nas escolas públicas
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) classificou o ano letivo 2025/26 como "mais um ano perdido" para resolver o problema da falta de professores que compromete o futuro da escola pública em Portugal.
Francisco Gonçalves, um dos secretários-gerais da Fenprof, afirmou em conferência de imprensa em Viseu que "o ano letivo que hoje termina foi mais um ano perdido. Um ano perdido na resolução do problema da falta de professores, na mais do que urgente valorização do estatuto da carreira docente".
O responsável sublinhou ainda que 2025/26 foi "um ano de experimentalismos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI)" que se refletiram na reorganização do Ministério, na reforma da administração pública e no novo paradigma da avaliação externa dos alunos, caracterizado como "mais digital e mais redutora".
Segundo a Fenprof, os problemas não foram resolvidos e surgiram novos desafios, nomeadamente o "agravamento da carência de professores" nas escolas públicas, com implicações também no ensino privado.
A dimensão do problema expandiu-se a todo o território nacional, deixando de estar circunscrito às áreas metropolitanas de Lisboa e do Algarve, e atingindo os distritos de Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Vila Real, Braga e Porto, sendo estes últimos "os mais afetados".
Francisco Gonçalves criticou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, por não conseguir responder a uma pergunta simples "dois anos após tomar posse": quantos alunos ficaram sem aulas por inexistência de professor colocado.
Embora sem dados oficiais, a Fenprof estima que no ano letivo 2025/26 existiram 22.042 horários sem professor, correspondendo a 407.372 horas letivas não lecionadas.
O secretário-geral indicou que "os valores mais elevados dos três últimos anos" sugerem que "foram na ordem das dezenas de milhares" os alunos que semanalmente não tiveram aulas, ultrapassando os 30 mil no segundo período, quando a média tinha sido na casa dos 40 mil.
Comparando com o ano anterior, houve um aumento de 32,8% no número de horários, 39,2% nas horas e 27,2% no indicador relativo aos alunos afetados.
A Fenprof considerou preocupantes os sinais apresentados nos concursos de 2026, alertando ainda para as aposentações, que poderão comprometer o funcionamento da escola pública no futuro.
Segundo Francisco Gonçalves, nas próximas duas décadas e meia, cerca de quatro mil professores por ano atingirão a idade de aposentação, embora este ano o número fique abaixo desse valor devido a 1.500 professores terem adiado a aposentação.
O dirigente exigiu ao ministro da Educação que "assuma as responsabilidades" perante a situação.
Referiu que "há milhares de euros a serem gastos em horas extraordinárias; há muitos professores que prolongaram a sua aposentação, mas isso não permite resolver o problema do ponto de vista estrutural, porque as quatro mil, em média, que vamos ter ao longo dos próximos 20 anos, é um movimento imparável".
Francisco Gonçalves defendeu que "é necessário recuperar os que abandonaram a profissão, manter os que estão e que os mais novos ingressem na profissão e isso só se faz melhorando o que é oferecido".
O secretário-geral da Fenprof concluiu que, num ano em que "os professores voltaram à rua" e realizaram "manifestações de insatisfação e de exigência de resolução" dos problemas, caso estes não sejam resolvidos até setembro ou outubro, "haverá, certamente, mais dias de luta e de greve" no próximo ano letivo.











