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Sofia: uma rua cheia de vida e com uma longa história

Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra voltou a encerrar a rua e a promover mais um “Ao Encontro da Sofia”

A animação tomou conta da rua, ocupada com esplanadas, música e diversas atividades. O calor intenso não ajudou, mas a festa fez-se, com as famílias a percorreram a Rua da Sofia, inteiramente reservada aos peões, aos comerciantes e aos eventos lúdicos e culturais, desde as 11h00 às 19h00. Foi mais uma edição, a quinta, do “Ao Encontro da Sofia”, um projeto da Agência de Promoção da Baixa que pretende dar mais vida àquela zona da cidade, reconhecida como património mundial.

Uma rua com história, que ontem se engalanou a preceito e além dos comerciantes locais atraiu outros e chamou para a festa diversos protagonistas. Lenon Santos e a esposa, Stephanye Henriques, atraíram as atenções com a sua deliciosa montra de bolos. O casal veio do Brasil há sete anos e hoje vive deste negócio. Ferrero Rocher, frutos vermelhos, morango com chocolate, bolo pudim, ananás com coco ou bombom de uva foram algumas das iguarias que apresentaram.

Uma festa que também pretende promover o património da Rua da Sofia

Trajado a rigor estava Vasco Calhandro, ou melhor Oscav, natural da Ericeira, que começou a vida como ilusionista, percorreu mundo e há 15 anos começou a trabalhar como homem-estátua. Traz consigo o leme, símbolo das embarcações de pesca que definem a sua terra natal. Há dois anos em Coimbra, na Ferreira Borges, ontem deslocou-se para a Sofia. «Concentração» é o segredo da imobilidade. Todavia, o público nunca é esquecido e Oscav agradece com um colorido pedaço de papel com uma mensagem pessoal, que escreve todos os dias, com o coração. «São duas horas», diz.

Bem perto, Francisca, Gonçalo, Manuel e João, da Associação Olhar 21 ensaiam a dança que vão apresentar. Sandra Campos, do Centro Social Cultural 25 de Abril, orienta as crianças nas pinturas e recortes e, um pouco acima, o público junta-se para ouvir o Coro do Ateneu de Coimbra.

Uma festa que também pretende promover o património da Rua da Sofia, que Lurdes Craveiro apresentou, primeiro no Pátio da Inquisição, depois na visita guiada. Uma história que começou em 1537, quando D. João III transferiu a Universidade para Coimbra. Uma mudança que não aconteceu por acaso, explicou, referindo o «corpo docente rebelde» de Lisboa, mas muito particularmente o Mosteiro de Santa Cruz e o que este representava, em matéria de poder e riqueza e de conhecimento.

«O Mosteiro de Santa Cruz tinha criado um modelo científico de conhecimento, alimentado por colégios internos, que disseminaram o acontecimento religioso, não deixando de consolidar o conhecimento científico», disse. Uma cultura humanista que originou dois colégios, de S. Miguel e de Todos os Santos. «A aventura começou aqui, com dois colégios crúzios instalados na Rua da Sofia», adiantou a historiadora, que recordou a aliança estratégica entre a coroa e as ordens religiosas, com a Igreja a ter noção perfeita das grandes mudanças.

«O império precisava de gente instruída, quadros para singrar», o que leva as ordens a fundarem os seus colégios, todos instalados na Sofia. Uma rua que nasceu «com um plano», «uma ideia consistente». As diferentes ordens (Cister, franciscanos, dominicanos) erguem os seus colégios, numa rua que se desenvolve «de forma límpida», «com 13 metros de largura e quase 400 de comprimento» até à Porta de Santa Margarida. Rua que contrastava com a «organização labiríntica» que dominava e que além dos colégios – Artes, Espírito Santo, Graça, Carmo, S. Pedro, S. Boaventura, S. Domingos e S. Tomás – definiu regras para as habitações.

«Houve um cuidado intenso na regulação da rua», frisou, recordando que ali se instalou Diogo de Castilho que vem executar os túmulos e o retábulo de Santa Cruz.

Junho 28, 2026 . 07:30

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