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Mostra junta na mesma mesa sabores das comunidades migrantes em Coimbra

Comunidades migratórias juntaram-se para uma manhã de partilha de sabores e de tradições. Praça do Mercado Municipal D. Pedro V foi palco da quarta edição de uma iniciativa que pretende promover a integração

A 4.ª edição da Mostra Gastronómica de Iguarias da População Migrante aconteceu ontem e apesar de se ter realizado com um número mais reduzido de participantes do que nas anteriores edições, foi possível proporcionar uma “viagem” às comunidades migratórias, desde o Brasil até Angola, passando pela Ucrânia, onde nem os sabores da região ficaram de fora.

Numa organização da Câmara Municipal de Coimbra, através do Gabinete para a Igualdade e Inclusão, a Praça do Mercado foi o “palco” escolhido para uma pequena demonstração da diversidade gastronómica e cultural “carregada” por cada um dos participantes, mesmo a milhares de quilómetros de casa.

Há três anos, Katia António escolheu Coimbra para enriquecer o seu percurso académico e é agora estudante de doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). Katia e a sua família como tantos outros angolanos não esquecem os sabores do seu país e, por isso, para a Mostra Gastronómica Katia contou com a ajuda dos seus filhos e preparou três pratos e ainda uma sobremesa para que todos pudessem degustar um dos pratos mais tradicionais. «Nós trouxemos um prato composto que é habitualmente de um almoço de sábado, mas algumas famílias também preparam para o jantar ao longo da semana. É o calulu de peixe seco, funge e feijão com óleo de palma e farinha musseque».

Contudo, um dos pratos mais curiosos foi mesmo o catato, uma iguaria tradicional do norte de Angola, cujo ingrediente principal são os bichos da seda. Um dos primeiros a experimentar a iguaria foi mesmo Alcino Silva, adjunto da vereação da Ação Social da Câmara Municipal de Coimbra que fez questão de provar um pouco de todos os pratos confecionados para esta mostra gastronómica.

Iguarias Angolanas

«É uma interação interessante, porque experimentamos vários pratos que dizem muito sobre aquilo que é a cultura original das pessoas, das suas raízes. Seguramente, qualquer imigrante que esteja em Portugal vai sentir-se mais integrado se tiver um local onde pode mostrar a sua cultura, num espaço de partilha e encontro», afirmou Alcino Silva, ao Diário de Coimbra.
Na mesma mesa serviu-se ainda uma sobremesa ucraniana feita à base de gelatina, salgadinhos brasileiros e um pudim de almeirão, um doce regional do Rabaçal. «Consegui recuperar uma receita de família e agora faço este pudim, mas não só. O almeirão pode ser utilizado em doces ou em sopas, por exemplo», salientou Maria Moreira, convidada a participar nesta mostra gastronómica para levar um pouco da regionalidade gastronómica aos imigrantes. «Também estou curiosa para provar alguns dos pratos que trouxeram», confessou.
A Mostra decorreu durante toda a manhã e início da tarde e deu a provar os sabores internacionais aos visitantes do Mercado, numa troca de experiências através da gastronomia.

Junho 27, 2026 . 09:04

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