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Universidades mostram dificuldade em acompanhar a IA

Para o reitor da UC, Amílcar Falcão, é motivo de preocupação que sejam as entidades privadas a liderar o desenvolvimento da inteligência artificial

O reitor da Universidade de Coimbra (UC) afirmou ontem que, ao contrário de outras transformações tecnológicas, o desenvolvimento da inteligência artificial tem sido liderado por privados e mostrou-se preocupado com a dificuldade de as universidades acompanharem este processo.

«Eu não me lembro – e tenho já uns anitos – de processos que tenham sido liderados na sociedade sem começarem a germinar nas instituições de ensino superior, exceto um, que é a inteligência artificial. As universidades no mundo inteiro não estão à frente. São as entidades privadas que estão à frente do desenvolvimento da inteligência artificial e isso é motivo de preocupação», disse Amílcar Falcão. O reitor da UC falava na sessão de abertura do evento de encerramento do projeto INOV3P (Pedagogia, Projeto e Promoção), um consórcio liderado pela Universidade de Coimbra que desenvolveu dezenas de iniciativas de promoção de inovação pedagógica no ensino superior, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com Amílcar Falcão, os privados estarem na liderança do desenvolvimento da inteligência artificial (IA) preocupa, porque as instituições de ensino superior, ao contrário do setor privado, estão sobretudo centradas na produção de conhecimento e partilha do mes­mo sem a preocupação do lucro. «Quando vemos que estamos atrasados em relação às empresas, isso significa que o que está a acontecer é muito mau. Devemos olhar com muita atenção porque podemos estar a ir longe demais na sociedade e as nossas instituições não estão a acompanhar este processo», alertou.

Abordando os impactos da inteligência artificial na própria aprendizagem no ensino superior, o reitor da UC considerou que «não vale a pena evitar o seu uso», mas que é importante refletir sobre as consequências. «Há um problema sério de aprendizagem [com IA]. Há a sensação de aprender mais, de conhecer mais, mas sem ter trabalho e sem trabalhar. E isso não é verdade, nunca foi verdade e nunca será verdade», notou.

Para isso, é preciso «procurar um ensino que inclua inteligência artificial, mas que não seja inteligência artificial». «Temos de ter uma avaliação que obrigue os estudantes a trabalhar, porque têm de aprender e temos de ter capacidade de ser atrativos para que a juventude não abandone o ensino superior», defendeu.

Amílcar Falcão considerou que é preciso refletir sobre modelos de avaliação, em que não se avalie «o Gemini ou o Chatgpt [chatbots de inteligência artificial]», considerando que será necessário pensar fora da caixa.

O reitor da UC referiu que, no passado, a Universidade chegou a pensar em avançar com bloqueio de sinal nas salas de avaliação, para impedir interações com o exterior, mas isso não avançou por causa do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.

Amílcar Falcão considerou que a relação das instituições de ensino superior com a IA, os modelos de avaliação e o combate ao abandono escolar serão desafios que as entidades terão de continuar a apostar no futuro. Nesse sentido, defendeu também que o projeto INOV3P pudesse ter assegurada continuidade, até no âmbito do PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência).

Sob o mote “Inovação pedagógica: Conhecimento, cooperação e transformação”, o encerramento do INOV3P decorreu ontem no Colégio da Trindade da UC, nomeadamente com apresentação dos resultados e impacto deste projeto de Centro de Excelência de Inovação Pedagógica, que envolveu 11 instituições de ensino superior na promoção de iniciativas como cursos breves, ações de formação, conferências, seminários, estudos diagnóstico e workshops. Incluiu ainda a entrega dos prémios de inovação pedagógica INOVPED.

Junho 16, 2026 . 08:25

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