
Quiaense imortaliza monumentos em gesso
O sotaque engana-nos, pois Alfredo Cruz é natural de Quiaios. Emigrou em criança com os pais e regressou à sua terra natal 50 anos depois, onde reside atualmente. Hoje, com 73 anos, o artesão dedica os seus dias a replicar à escala os edifícios e os monumentos mais icónicos da Figueira da Foz, transformando a sua arte numa forma de preservação da identidade local. Com recurso a moldes e gesso, o trabalho minucioso preserva o detalhe arquitetónico local, imortalizando o património da cidade em peças únicas de artesanato e de decoração.
O projeto de artesanato com mais de duas décadas dá, assim, uma nova vida ao património edificado, com os trabalhos em gesso a funcionarem como autênticos "postais tridimensionais", promovendo a identidade da região para além das fronteiras do concelho.
«Os trabalhos são sempre inspirados na Figueira da Foz, que tem um património muito rico. Há também muitas peças de Buarcos, mas a maioria é representativa de Quiaios», afirma Alfredo Cruz, enquanto aponta para as réplicas das fachadas de duas coletividades da sua freguesia: o Grupo Instrução e Recreio Quiaense e o Quiaios Clube 1921. «Dá para pendurar na parede e tem luz, o que enriquece ainda mais a peça», comenta.
Em cima da banca exposta pelo artesão local há ainda miniaturas do barco de pesca pintado de amarelo que durante anos esteve instalado na rotunda à entrada da Praia de Quiaios, bem como ímanes com imagens de monumentos pertencentes à freguesia. Mas as peças que acabam por saltar à vista são as réplicas da Torre do Relógio e do Forte de Santa Catarina, que têm mais impacto no público, sobretudo, figueirense que os reconhece de imediato. «O que tem mais saída são os monumentos com que a pessoa mais se identifica», explica Alfredo Cruz.
Com novos projetos em mãos, o artesão quiaense revela que não quer parar. «A minha ideia é continuar a fazer mais. A minha motivação é fazer um trabalho que as pessoas gostem e que comprem para levar de recordação», sublinha. Por isso, recentemente começou a fazer trabalhos “inéditos” como os guarda-joias em gesso, para também criar uma vertente utilitária nas suas peças.
Além de dar a conhecer a sua arte em feiras e exposições, o artesão aceita encomendas através do contacto 934 016 838.|











