
Fé, esperança e orgulho marcam Bênção das Pastas na Sé Nova
Dizer adeus a Coimbra nunca é uma tarefa fácil, mas a Bênção das Pastas consegue transformar a nostalgia da despedida numa força motriz de esperança.
No interior imponente da Igreja da Sé Nova, o silêncio solene contrastou com o bater acelerado dos corações dos finalistas do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), escolas privadas e escola de Enfermagem.
No templo, ergueram-se as pastas negras com fitas coloridas — que carregam não apenas apontamentos, mas histórias, noites sem dormir, amizades eternas e o peso do crescimento pessoal.
Para os estudantes do IPC, este dia representa o culminar de anos de dedicação nas salas de aula, nos laboratórios e na comunidade.
Cada fita cortada ou assinada é o reflexo do apoio incondicional de quem esteve lá: os pais, cujos olhos brilham com lágrimas de orgulho, e os colegas, que partilharam a mesma jornada.
João Medeiros era um dos “pais babados” que se encontrava a assistir ao momento do filho Rui, finalista de Engenharia.
«Não tenho palavras para descrever o que estou a sentir», frisou à reportagem do Diário de Coimbra, mostrando-se emocionado com a cerimónia que decorreu na Igreja da Sé Nova.
Maria José viajou da Figueira da Foz para ver a sobrinha Rita, finalista de Enfermagem, a benzer a pasta.
«É o momento dela mas gosto de estar presente e de assistir às suas conquistas», referiu.
Leandro Pedro, apesar de não ter ninguém a estudar no ensino superior, sublinhou que não perde uma Bênção das Pastas, devido a ser um «acérrimo defensor» das tradições académicas.
«Este é um momento de grande importância para os estudantes que finalizam o ensino superior. Não tenho filhos, netos ou parentes a estudar em Coimbra mas gosto muito de ver estas tradições», comentou.
O ritual da bênção pede proteção para os caminhos que agora se abrem, transformando os jovens em embaixadores de conhecimento e humanidade para o mundo.

Quando as capas se agitam e os lenços acenam, a emoção transborda. O sol que se fez sentir fora da Igreja da Sé Nova tornou-se secundário perante o calor humano que encheu a celebração.
Coimbra despede-se de mais uma geração do Politécnico, escolas privadas e enfermagem, não com um adeus definitivo, mas com a certeza de que quem passa por Coimbra deixa um pedaço de si e leva consigo a essência de uma cidade que sabe saudar o futuro.
Na eucaristia, o bispo de Coimbra apelou à fé e ao comprometimento e reiterou a importância do momento.
«Este dia é único e representa um grande desafio», constatou D. Virgílio Antunes, acreditando que a passagem dos estudantes por Coimbra seja «uma preparação para a vida».
«O amor de Cristo entusiasma-nos e é essencial na vida de qualquer pessoa», acrescentou, dirigindo palavras de encorajamento a uma geração que se prepara para enveredar no mundo profissional.
D. Virgílio Antunes convidou ainda os finalistas a questionarem-se sobre o seu papel na sociedade.
«O futuro está aí e é vosso», afirmou o bispo de Coimbra.












