
Ópera está de volta às Ruínas de Conimbriga
Há 13 anos, a Ritornello – Associação Cultural estreava-se nas Ruínas de Conimbriga e transformava as Termas do Sul num espaço de eleição para a apresentação de espetáculos de ópera. Amanhã, o programa repete-se, com uma nova récita, outros protagonistas, mas com a mesma vontade de “casar” a cultura e o património. Alias, este é mesmo «o casamento perfeito» no entender do responsável pela produção da companhia, que não poupa elogios a este palco «deslumbrante», que «agrada a quem toca, a quem representa e fundamentalmente a quem assiste», diz Jorge Silva, que ontem, em Conimbriga, ultimava os preparativos para a apresentação da ópera “Il Tutore”, de Johann Adolph Hasse, amanhã, a partir das 18h30, com entrada gratuita.
Os preparativos, intensos, começaram há 15 dias, com as atenções centradas, na primeira semana, no trabalho com o encenador, a figurinista e a cenografia. Tratou-se da “montagem” da ópera, ainda sem músicos e sem cantores, num «trabalho de palco» explica o diretor de produção. Na segunda semana, já com a presença da soprano Patrícia Modesto e do barítono Luís Rodrigues (também encenador e autor da tradução da obra), avançou-se com a componente vocal, concluída domingo ao final da tarde. Hoje é tempo de ensaio geral, nas Termas do Sul, pois a Ritornello faz questão de fazer esta espécie de ante-estreia «no mesmo local e à mesma hora» onde a récita é apresentada, o que acontece amanhã.
Jorge Silva confessa que as expectativas relativamente à adesão do público estão “em alta”, concorrendo, de resto, para consolidar esta programação cultural de caráter mais erudito que a companhia tem procurado trazer a Coimbra e a toda a região região, com uma atenção particular a Conimbriga, onde tem sido uma presença marcante. «No ano passado, com um calor intenso, tivemos mais de 500 pessoas na récita», recorda, enaltecendo esta “comunhão” com o público, que tem atingido uma relevância muito particular nas Ruínas de Conimbriga.
A propósito, Jorge Silva enaltece e agradece o apoio da Museus e Monumentos de Portugal que tem sido «assertivo» e «muito importante», à semelhança do que acontece com a Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, que desde sempre se associou à celebração do aniversário do Museu Monográfico de Conimbriga. Um agradecimento, também, à Junta de Freguesia de Cernache, entidade que disponibiliza o espaço onde a Ritornello ensaia habitualmente e procura dar sempre resposta pronta a todas as necessidades e emergências.
Relativamente à récita, trata--se de mais uma ópera cómica, centrada na figura de Lucilla, uma jovem órfã que tem que fazer apelo a toda a sua inteligência e astúcia para se libertar de Pandolfo, seu velho e avarento tutor, que planeia casar--se com ela para controlar a sua herança. Uma história com engenhosas situações e momentos cómicos, onde não falta, naturalmente, o amor, que vence a tirana, juntando Cláudio e Lucilla.
António Ramos assume a direção musical da récita e o trabalho de orquestra é assegurado pela Camerata Joanina, como habitualmente.











