
Projeto inovador quer revolucionar apanha de medronho em Penacova
O ministro da Agricultura e Mar presenciou ontem, “in loco”, a demonstração do primeiro protótipo de colheita mecanizada de medronho que, através da tecnologia e automação, consegue, com ou sem operador, identificar e recolher os frutos das plantas através de sucção, embora para uma maior eficiência e rentabilidade as plantações devam obedecer a uma série de requisitos.
A apresentação, efetuada na parcela “Tanque” da Medronhalva, em Hombres, freguesia de São Pedro de Alva, concelho de Penacova, pretende revolucionar a apanha do medronho, podendo, igualmente, estender-se a outras culturas.
José Manuel Fernandes aludiu ao facto de a parcela “Tanque” de medronheiros ser, antigamente, mato, e agora possuir vários “ingredientes” para produzir um fruto do qual Portugal está na “linha da frente”. «A agricultura e todo este trabalho é economia, competitividade, coesão territorial, sustentabilidade ambiental e proteção civil», disse o governante, acrescentando que também ficara provado ser «inovação e investigação».
Neste projeto estão envolvidos, além da Medronhalva, Fravizel e INESC TEC
«Não só somos o maior produtor mundial de medronho, como também somos aqueles que apresentaram uma solução para, face à escassez de mão de obra, poder ter robótica com “software” a colher o fruto», salientou José Manuel Fernandes.
O ministro recordou que o Governo pretende que a fileira do medronho «seja forte» e que o projeto da Medronhalva demonstra o que tem sido «afirmado em relação à agricultura e à floresta», ou seja, «devem estar de mãos dadas», e nada «melhor que um medronheiro para provar esta frase». «Além disso, o que o agricultor produz são bens públicos e aqui temos não só economia e competitividade, temos, em simultâneo, coesão territorial e sustentabilidade ambiental», precisou.
Para Carlos Fonseca, a mais-valia deste protótipo «é muito evidente», porque «um dos constrangimentos em toda a cultura de medronho é, claramente, a colheita que é exclusivamente manual», referiu. «Com a falta de mão de obra que temos, com a falta de recursos humanos nestes meios, nesta área e noutras áreas, temos que encontrar formas de conseguirmos ultrapassar esta situação e, neste projeto, com tecnologia, conhecimento, criatividade e loucura, penso que demos um passo gigante», frisou o administrador da Medronhalva.

O primeiro medronhal certificado do mundo é o gerido pela Medronhalva, que obteve a certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council). A Medronhalva, fundada em 2013, pelo biólogo Carlos Fonseca, dedica-se à valorização do medronheiro e à sua cultura, gerindo atualmente cerca de 20 hectares de medronhais certificados, promovendo práticas sustentáveis e a conservação ambiental










