
Trabalhadores retidos durante seis meses num barco vão regressar a casa
Um grupo de 12 trabalhadores angolanos e indonésios vai regressar a casa até sexta-feira, depois de mais de seis meses retido num barco de pesca em São Vicente, Cabo Verde, disse hoje à Lusa fonte diplomática.
“Testemunhei a entrega dos salários que estavam em atraso, superiores a um ano, e dos passaportes que estavam com o armador”, disse o embaixador de Angola em Cabo Verde, Agostinho Tavares.
Um primeiro grupo de três marinheiros partiu para Angola na quarta-feira e os restantes quatro viajam na sexta-feira, dia em que também regressam a casa os cinco trabalhadores indonésios.
“O armador espanhol cumpriu as suas obrigações e penso que está a ser um desfecho feliz para todos”, afirmou o diplomata angolano, que tem acompanhado o caso.
A principal queixa dos trabalhadores estava relacionada com o facto de “estarem distantes e não poderem mandar dinheiro para a família, em Angola, que espera sempre por alguma coisa”, disse Agostinho Tavares.
“Essa era a maior preocupação. Como não foi possível enviar dinheiro antes, estão a levar, agora, aquilo que tinham para receber”
Em dezembro de 2025, o representante da Agência de Navegação de Cabo Verde (Limage), José Lima, disse à Lusa que a embarcação estava parada no porto do Mindelo há cerca de dois meses, com 12 trabalhadores sem receber salários.
O tribunal tinha sido notificado de um arresto, estando a tripulação a cumprir a decisão judicial.
Na mesma altura, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF) denunciou que os 12 homens a bordo do navio Novo Ruivo, de bandeira portuguesa, estavam há oito meses sem remuneração e abandonados pelo armador.
O inspetor da ITF, Gonzalo Galan, considerou a situação "horrível", afirmando que os pescadores não conseguiam sustentar as famílias e exigiam "a única solução justa possível: receber os salários em atraso e regressar a casa em segurança e sem demora".
A organização apelou ainda a que os empregadores da indústria pesqueira europeia negoceiem um acordo coletivo que garanta proteção efetiva às tripulações estrangeiras em embarcações de capitais europeus.
A situação arrastou-se: segundo as autoridades, o armador foi apontando como solução a venda do navio, mas os meses passaram e, sem poderem sair da ilha, os trabalhadores receberam apoio essencial, como alimentação, e viveram dentro do barco, até agora.











