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Atuações tardias que constroem a tradição

Não são apenas as tunas que “dão música” ao recinto, mas são um dos grandes destaques daquilo que é, na sua génese, a tradição coimbrã

É impossível dissociar a Queima das Fitas dos diversos grupos académicos que nela atuam. Para além das tunas há, ainda, as “secções” da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra que muito lutam para continuar a ter o seu merecido destaque ao longo das diversas noites na Praça da Canção.

Com o Diário de Coimbra estiveram à conversa alguns membros da Orxestra Pitagórica e da Desconcertuna, dois conceituados grupos dentro da academia.

Pi Luma, Fu Dão, Se Co e Poça fazem parte da Pitagórica e revelaram ao nosso jornal um segredo. «Preparação? Eu acho que esse é o problema, é que da nossa origem nós já vimos preparados para tudo o que der e vier», explicou Fu Dão. Como “mestres” da improvisação, admitiram ainda não ter um alinhamento pronto, mas que isso não seria um problema.

Sobre desejos para futuras atuações, os jovens não esconderam os seus objetivos. «Eu acho que a Pitagórica nunca atuou na Serra do Gerês e isso é um desejo, no meio da serra mesmo. Também nunca atuámos no Choupal e isso até é uma opção bastante acessível», contam, deixando o desafio à presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Ana Abrunhosa, para que se possa «fazer acontecer». Pi Luma, mais ambiciosa, contou o desejo de «atuar na Lua».

Do lado da Desconcertuna, Beatriz Augusto (presidente) e Mariana Barbas, contam que houve mais preparação, com uma arruada pela tarde. «Fizemos uma arruada durante a tarde toda», o que parece cansativo, mas para os tunos é apenas «aquecimento». Estas “performances”, que acontecem quase todas as semanas, servem também como angariações de fundos ao longo do ano.

Com apoios vindos da CMC, IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude) e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), conseguem manter várias atividades de pé e participar em eventos, sendo o próximo já nos dias 5 e 6 de junho, o (Re)Cordas. «Temos muitas atividades preparadas, será também a minha última atuação», conta Beatriz Augusto, continuando «vamos ter serenatas nos claustros da FPCEUC e atuações no TAGV, vai ser um evento muito bom», que traz ainda tunas de Viana do Castelo e Portalegre.

Como já é habitual nas atuações da Queima das Fitas, há um encontro de gerações especial. Em noite de atuação, Beatriz Alves, uma “novata” que entrou este ano na Desconcertuna, contou um pouco da sua experiência até ao momento. «Ajudou-me a integrar e a conhecer um novo estilo de vida, quase. É a minha primeira grande atuação, então sinto que é um marco que nunca mais me vou esquecer». Do mesmo modo que a atuação marca os mais novos, também os “antigos” são marcados. «Não teria feito Coimbra da mesma forma se não estivesse na tuna. As grandes atuações, onde todos nos encontramos, gerações mais novas e mais velhas, são sempre muito giras», revelou Armanda Castro, membro entre 2012 e 2018.

Com um lugar especial na história desta tuna, Tiago Ferreira foi um dos criadores da música “Viagens”, a mais recente do espólio da Desconcertuna, presente no cancioneiro desde 2025, e que se tem revelado como um grande sucesso. «Estreámos este tema no último (Re)Cordas. Queria criar uma música com várias partes, que retratasse todas as partes de uma viagem. Acho que o resultado foi muito bom». No que toca à reação do público, Tiago conta que «tem sido muito positiva» e que acaba por se sentir «orgulhoso», mesmo com alguma modéstia, admitindo que o trabalho do grupo «é brutal» e «muito gratificante».

Apesar da felicidade por atuarem no “grande palco”, este ano foi mais uma vez marcado por atrasos, tendo o concerto da Desconcertuna ocorrido mais de uma hora depois do previsto, durando apenas cerca de 15 minutos.

Queima Das Fitas Noite 7 Principal T
Maio 30, 2026 . 11:44

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