
Mostra de lenços que os palitos podiam comprar
Em Lorvão, fazer palitos era um trabalho de todos os dias e eram sobretudo mulheres que se dedicavam a esta que é hoje uma arte. Deste trabalho diário, discreto e silencioso, mas essencial para a vida das famílias, nasciam pequenas conquistas, que o Grupo Etnográfico de Lorvão dá a conhecer, a partir de amanhã, com a exposição “Das raspas aos luxos - o que os palitos podiam comprar”. A mostra vai estar patente na Sala do Capítulo do Mosteiro de Lorvão, concelho de Penacova. Mas afinal, o que podiam os palitos comprar? Lenços e xailes do final do século XIX e início do século XX, que a mostra dá a conhecer, revelando que para cada momento da vida, a mulher procurava um lenço ou um xaile específico, mas nem por isso fácil de adquirir. «Em dias de festa, romarias ou casamentos, [lenços e xailes] ganhavam outro significado: tornavam-se escolhas pensadas, formas de presença e distinção. Entre as mulheres havia atenção ao detalhe, comparação e também admiração - uma forma silenciosa de reconhecimento entre pares», refere a organização. Para ver, na Sala do Capítulo, estão os mais diversos exemplares, que outrora eram «usados com orgulho»: os lenços de seda e os xailes de pelúcia e merino, reservados para casamentos e grandes festas; os cachinés e os xailes chineses, os mais cobiçados, para os dias de festas e romarias; e os lenços de retrós e xailes de lã, para os dias de trabalho.











