
"Povo kuwaitiano recebeu-me bem e isso facilitou bastante"
Diário de Coimbra | Foi campeão nacional de Sub-17 no Kuwait. Como é que descreve o trajeto feito pela equipa?
Rui Gomes | Foi um percurso exigente, mas extremamente gratificante. Desde o primeiro dia de pré-época percebemos que existia talento no grupo, mas o mais importante foi a forma como os jogadores cresceram ao longo da época, tanto a nível competitivo como humano. Houve muito trabalho diário, compromisso e capacidade de superação nos momentos mais difíceis. O título acaba por ser a consequência da consistência e da mentalidade que a equipa foi construindo. Além disso, era um título que o clube já não conquistava há mais de dois anos, o que demonstra bem a competitividade da competição e valoriza ainda mais aquilo que este grupo conseguiu alcançar. Para mim, teve um significado especial porque sentimos que deixámos uma identidade muito própria na equipa.
Estando no país há três épocas já se adaptou totalmente à cultura e vivências do povo local?
Sim, sinto-me bastante adaptado. Naturalmente, no início existe sempre um período de aprendizagem, porque estamos perante uma cultura bastante diferente da nossa, com hábitos e formas de viver próprias. Mas tenho tido uma experiência muito positiva. O povo kuwaitiano recebeu-me bem e isso facilitou bastante a integração. Hoje consigo compreender melhor a cultura, respeitar as tradições e viver o dia a dia com grande normalidade.
Finlândia e, agora, Kuwait. Qual o próximo passo da sua carreira?
Cada experiência internacional tem-me ajudado evoluir, não só como treinador, mas também como pessoa. Obviamente tenho ambição e vontade de continuar a trabalhar em contextos competitivos e desafiantes e em projetos que façam sentido do ponto de vista profissional e humano.
O que é que mais sente falta de “casa”? Houve momentos difíceis nesta “caminhada”?
Sem dúvida da família, amigos e das pessoas mais próximas. Quando estamos muitos meses fora, há momentos importantes que acabamos por perder e isso pesa emocionalmente. Também sentimos falta das pequenas coisas do dia a dia em Portugal, da rotina, dos amigos e até da forma de viver das pessoas. Claro que há momentos mais difíceis, faz parte de qualquer percurso fora do país, mas estas experiências também nos tornam mais fortes, mais independentes e melhor preparados para lidar com diferentes desafios.
Consegue ter tempo para “aproveitar” a experiência para lá do treino?
Sim, tento sempre aproveitar os dias de folga para conhecer melhor o país, a cultura e as pessoas. É importante absorver tudo aquilo que o contexto nos pode oferecer. Gosto de conhecer novos locais, experimentar a gastronomia local e perceber melhor a realidade do país onde estou. Isso acaba também por ajudar na relação com os jogadores e com as pessoas do clube.












