
Câmara de Coimbra quer reduzir gastos com os lanches nas escolas
A Câmara de Coimbra vai levar na próxima sexta-feira ao Conselho Municipal de Educação uma proposta que prevê reduzir para «cerca de metade ou ainda menos» o investimento nos lanches nas escolas, que atualmente se situa em cerca de 1,3 milhões de euros.
A proposta apresentada ontem pelo vice-presidente do Município de Coimbra, Miguel Antunes, na reunião do executivo camarário, tem em conta, além de uma melhor gestão de dinheiros públicos, evitar o desperdício alimentar que se regista neste tipo de apoio.
«O princípio que nos guia é simples: aplicar bem o dinheiro de todos e garantir que o apoio chega a quem dele precisa», justificou o autarca ao anunciar a intenção de reformular esta medida no âmbito do Programa Municipal de Ação Social Escolar para 2026/2027,
Miguel Antunes esclareceu que a medida foi já sujeita a uma avaliação no terreno durante o ano letivo. «Foi um primeiro estudo, com as limitações naturais de quem mede algo pela primeira vez — mas o sentido é inequívoco: há desperdício significativo. Perto de um quinto dos lanches da manhã e mais de um quinto do pão da tarde acabam no lixo. E quase um terço das escolas já reduzia, por sua iniciativa, os pedidos — sinal de que o problema é real e conhecido no terreno», revelou.
O autarca entende que «desperdício alimentar é também desperdício de recursos de todos os munícipes», pelo que propõe dirigir os lanches «prioritariamente às crianças e alunos em situação de vulnerabilidade, sinalizados pelas escolas e validados pelo município — com flexibilidade: qualquer escalão, ou mesmo sem escalão, sempre que a necessidade se justifique».
«Nenhuma criança que precise fica de fora por razões administrativas. E que fique claro: a universalidade mantém-se onde mais importa — nas refeições escolares, no leite e na fruta, para todos», assegurou.
Estimando que o investimento de 1,3 milhões de euros nos lanches «passe para cerca de metade ou ainda menos», Miguel Antunes defende que com este novo modelo «liberta-se financiamento para reinvestir onde as escolas há muito pedem: climatização de salas, requalificação de espaços, conforto e segurança».
«De um apoio em parte consumido pelo lixo, para um investimento que chega a milhares de crianças todos os dias. Não é menos investimento na Educação. É melhor investimento! Os recursos de todos onde produzem mais benefício, com equidade e com resultados que duram», defende.










