
“Que raios?!!” é a nova atração do UC Exploratório
O hall do UC Exploratório, no acesso ao espaço da exposição principal, tem uma nova atração. À maternidade de pintos e à maternidade de cogumelos, os visitantes juntam agora um novo módulo. “Que raios?!”. Assim se chama a nova atração do Centro de Ciência Viva, que é uma espécie de “dois em um” e chega pela mão do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra.
Numa “caixa negra” estão instaladas câmaras para a visualização do rasto de partículas subatómicas: de um lado, é possível observar raios cósmicos, que são detetados e visualizados na câmara de faíscas, do outro, observam-se partículas de decaimento radioativo, detetadas e possíveis de ser percecionadas na câmara de nevoeiro.
Como explica Alberto Blanco, investigador no LIP, os dois detetores foram construídos no LIP
«A primeira câmara de faíscas o que está a fazer é mostrar os raios cósmicos com partículas que vêm do exterior do nosso planeta e atingem o planeta em todo o momento. Eles interagem com a atmosfera, criando subpartículas e esta câmara permite visualizar algumas dessas subpartículas que chegam e estão a atravessar o nosso corpo em todo o momento», explica o físico.
"O Exploratório está a investir muito em ter módulos de ciência fora das exposições"
Já no interior da câmara de nevoeiro, foi colocada uma rocha radioativa, que permite ver a emissão de radiação do urânio. «É muito simples de perceber: temos um gás supersaturado lá dentro. E o que acontece é que as partículas quando são emitidas aportam essa energia a esse gás supersaturado e condensa. Portanto, o que estamos a ver é o percurso das partículas», salienta.
«O Exploratório está a investir muito em ter módulos de ciência fora das exposições», refere Paulo Trincão, diretor do UC Exploratório, destacando que a opção de «levar a ciência a todo o lado» e fazer com que ela se cruze «nos caminhos das pessoas» faz parte da estratégia da instituição.
«E esta ideia de ter um detector de partículas cósmicas é extraordinária, porque todo o imaginário que as pessoas têm da criação do universo, da física de partículas, de repente, ganha uma visibilidade, através deste processo, que é, realmente, muito interessante», reforça Paulo Trincão, dando conta também do outro lado: as partículas da Terra a emitir radição («perfeitamente compatível com a vida humana»).
«É interessante ser visível, porque entendemos que a ciência, muitas vezes, quando é visível é mais atrativa e as pessoas compreendem melhor», salienta.
LIP é parceiro do Centro de Ciência Viva desde o primeiro momento
O LIP é associado do UC Exploratório «desde o primeiro dia», numa relação que já leva 30 anos e que ontem foi reforçada com a assinatura de um protocolo de colaboração. Numa altura em que o LIP celebra 40 anos (nasceu após a adesão de Portugal ao CERN), Alberto Blanco destaca, por exemplo, a intenção de construir uma câmara de nevoeiro cerca de quatro a seis vezes maior do que a atual».











