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Subida da Briosa: Um grupo incrível que tudo fez para ter um final muito feliz

Sensacional. A Académica está de volta aos campeonatos profissionais quatro anos depois. A vitória por 3-0 frente ao Trofense, no sábado, permitiu à Briosa subir à II Liga e proporcionou uma festa em Coimbra que não se via desde os tempos da conquista da Taça de Portu­gal em 2012.

Sensacional. A Académica está de volta aos campeonatos profissionais quatro anos depois. A vitória por 3-0 frente ao Trofense, no sábado, permitiu à Briosa subir à II Liga e proporcionou uma festa em Coimbra que não se via desde os tempos da conquista da Taça de Portu­gal em 2012.

A Briosa, que não teve direito ao título de campeão da Liga 3 – esse ficou na posse do Amarante -, conseguiu a promoção com todo o mérito. Foi feita justiça a um trabalho incrível de um gru­po de jogadores que foram verdadeiros homens nos momentos mais difíceis, mas também de uma equipa técnica liderada por António Barbosa. É igualmente justo reconhecer o papel da Direção que há um ano agarrou no “leme” do clube, bem co­mo do diretor desportivo David Caiado. Desde o primeiro momento desta Fase de Subida que a Académica mostrou ao que ia, andando sempre nos primeiros lugares da prova, com uma consistência assinalável e que só podia ter um final feliz.

Mas é preciso voltar um pou­co atrás, até porque esta “história” não pode ser dissociada do que foi a época anterior.

Em 2024/2025, a Briosa falhou por um golo o apuramento para a Fase de Subida, naquele que foi um momento de enorme frustração. Voltou a remodelar mui­to o plantel, só ficaram quatro elementos da equipa do ano transato (Ricardo Teixeira, António Montez, Leandro Silva e Fran Pereira, sendo que este último viria a sair em janeiro) e as coisas não começaram bem. Duas derrotas nas três primeiras jornadas e a eliminação da Taça de Portugal com um de­sai­re caseiro frente ao Marialvas fizeram soar os “alarmes”, com os adeptos academistas a temerem mais uma época de grande sofrimento e novo “jejum” no que a promoção de divisão diz respeito.

A Académica pagava a “fatu­ra” de ter demorado mais tem­po a construir o plantel e de, por isso mesmo, nem todos os jogadores terem começado a pré-época na mesma altura.

Belenenses foi “talismã”

Foi curiosamente frente ao Belenenses – o mesmo emble­ma que na época passada lhe “roubou” o apuramento - que a formação da cidade do Mondego iniciou um percurso excelente que a levou até ao apuramento para a Fase de Subi­da.

O 4-1 a 13 de setembro, no Estádio Cidade de Coimbra, foi o primeiro de 14 jogos conse­cu­tivos, com apenas uma derrota pelo meio diante do Covilhã, que conduziu os “capas negras” até à fase de todas as decisões com relativa tranquilidade. A AAC foi uma equipa muito competitiva, organiza­da, que normalmente esteve sempre mais próxima de ganhar do que o adversário e que teve empates a mais pelo meio. Mas, quantas vezes num passado recente a Académica foi penalizada por deixar escapar pontos preciosos que lhe fizeram mais falta à frente? Pois bem, desta vez, esses pontos derivados das igualdades revelaram-se determinantes para as contas do apuramento.

“Do jogo a jogo” à fortaleza de Coimbra

Por ter terminado no tercei­ro lugar da Série B, a Académica não era apontada como uma das favoritas aos três primeiros lugares de uma Fase de Apuramento de Campeão disputada por oito emblemas. Mas a estratégia do “jogo a jogo”, mas sobretudo a crença enorme do grupo de traba­lho começou a alimentar o sonho desde cedo. A vitória por 1-0 na receção ao V. Guimarães, com um golo de Leandro Silva – a principal figura da equipa -, foi um primeiro sinal que os “capas negras” deram à concorrência. Nem as cheias que afetaram Coimbra e que levaram ao adiamento da viagem a Amarante e a derrota por 3-2 no Estádio do Restelo frente ao Belenenses abanaram o espírito inquebrável de uma verdadeira equipa.

Nos quatro jogos seguintes, a formação da cidade do Mondego registou outras tantas vitórias frente a U. Santarém (3-1), Varzim (1-0), Mafra (2-0) e Trofense (2-1) que a “catapulta­ram” para a liderança da competição e que saiu reforçada com o empate a uma bola na “casa” do Amarante, o outro conjunto com quem a Briosa andou “colada” no topo da pro­va, praticamente desde os primeiros instantes.

A derrota em Guimarães por 1-0 no arranque da segunda vol­ta, naquela que terá sido a exibição menos conseguida dos academistas e o empate caseiro com o Amarante, podiam ter cri­ado dúvidas. Mas não. Ao contrário de outras épocas, o exemplo mais recente foi na Fase de Subida de 2023/2024, o fator casa desta vez foi um ali­ado importante da Académica.

Se na primeira fase só perdeu por uma vez como anfitriã, na Fase de Apuramento de Campeão só o Amarante levou pontos da cidade do Mondego. Um dado determinante para as contas da subida. Belenenses (2-1) e Varzim (1-0) foram mais duas equipas que não conseguiram ser felizes no Estádio Cidade de Coimbra, sendo que pelo meio, em Santarém, os comandados de António Barbosa deixaram escapar o triunfo de forma inesperada, pois jogaram durante mais de 60 minutos em superi­oridade numérica e sofreram o empate no derradeiro lance do desafio.

Da recuperação em Mafra até à festa final

Chegou a penúltima jornada e em Mafra um triunfo era sinónimo de subida de divisão. A maior eficácia dos donos da casa, que ainda corriam pelo terceiro lugar que dava direito a disputar o playoff de subi­da/manutenção com o 16.º classificado da II Liga, levou a que no arranque da segunda parte se registasse um 3-0. Mas com um atitude fantástica, a Bri­osa foi capaz de chegar ao 3-3 e, por muito pouco, não chegou ao triunfo. A subida ficou adiada, bem como no dia seguinte, pois a vitória do Bele­nenses na Póvoa de Varzim empurrou todas as decisões para a derradeira jornada. E aí, a Académica, apoiada por uma enorme “onda” negra nas bancadas que se foi avolumando a cada jornada, não tremeu, venceu e teve direito a uma felicidade muito merecida.

Construir com paciência foi fundamental

Claro está que agora é fácil falar, até porque correu tudo muito bem. Mas inicialmente a estratégia desenhada passou por não construir o plantel à pressa. É verdade que isso teve custos, como foram os primeiros resultados da temporada, conforme já referimos anteriormente. Porém, essa aposta veio a surtir efeitos. É um facto que só lá para outubro é que o gru­po de trabalho ficou fechado, mas a aposta num plantel cur­to, que permitiu maior competitividade e em que todos puderam sentir-se importantes e, acima de tudo, o facto de ser valorizado o la­do humano, tão importante sobretudo nas horas mais complicadas, foi um dos segredos do sucesso.

Não há dúvida que esta foi uma vitória do coletivo, em que todos tiveram uma quota parte importante no sucesso, mas é claro que há jogadores que se evidenciaram mais.

Leandro Silva, Marcos Paulo e outros

Leandro Silva é, sem dúvida, a figura maior da Académica 2025/2026, por aquilo que representa, mas também por aqui­lo que jogou e fez jogar. O número golos e de assistências, mas sobretudo a liderança dentro das quatro linhas foi fundamental.

Ao nível dos jogadores mais “veteranos”, Marcos Paulo, um dos pulmões do setor intermediário, Edson Farias, um extre­mo transformado num lateral direito de muita qualidade, Kaká, um raçudo lateral esquerdo que é daqueles que “antes quebrar que torcer”, e Mar­co Baixinho, um central que re­encontrou a felicidade na cida­de do Mondego, assumiram pa­péis determinantes.

E depois, claro, os mais jovens que foram uma clara mais valia, como foram os centrais Ricardo Teixeira e Guilherme Silva, que “renasceram” em Co­imbra, António Montez, um médio que cresceu muito em dois anos, Cascavel, um médio transformado num extremo de classe, Cuba, o goleador incansável, e Béni Souza, extremo que começou discreto mas que se tornou o elemento mais entusiasmante com a bola nos pés. E claro não esquecer a utilidade de vários elementos que foram partindo quase sempre do banco para acrescentar.

Ou seja, um cocktail de expe­riência e juventude que funcionou na perfeição, isto numa épo­ca em que Tiago Soares se tornou o jogador mais jovem a vestir a camisola sénior da Bri­osa, com apenas 15 anos, bem como o jogador mil da história do clube.

Maio 19, 2026 . 14:30

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