
Flores “colhidas” na Conraria vão enfeitar carros dos fitados
É já um hábito para a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) ajudar os estudantes do ensino superior a fazer as suas flores para decorar os carros alegóricos que “desfilam” pela cidade na Queima das Fitas. Com cortejo marcado para dia 24 de maio, já se começa a “correr” contra o tempo, estando a APCC ao dispor dos jovens para brotar estas flores.
Desde o início das encomendas, já foram realizadas oito das 14 recebidas, cada uma com o custo associado de oito euros por saco (200 flores por saco). O funcionamento destas encomendas é simples, cada carro pode efetuar a sua encomenda através de 239 792 120, 239 802 920 ou [email protected], e têm o custo associado de oito euros (encomendas até dia 24 de abril), nove euros (até 4 de maio) e 10 euros (até dia 15 de maio, data limite para encomendar).
«Desde dia 12 de março até ao momento já fizemos perto de 15 mil flores», adiantou Mara Costa, responsável pela Área de Trabalhos Produtivos para a Comunidade da APCC. Em termos de tempo, explica que, por norma, «fazemos quatro mil flores num dia e meio», o que pode variar mediante a disponibilidade dos utentes.
Divertida enquanto ajudava na preparação das atividades manuais, Hélia Maia, uma utente apaixonada pelas flores, contou do Diário de Coimbra que «já são muitos anos» a fazer esta atividade e que a diversão é constante. «É muito divertido trabalhar com este grupo. Já não sei o número de flores que fiz, mas foram muitas», principalmente por já se encontrar junto da associação desde os seus 15 anos.
De certo modo, realçou Mara Costa, esta altura do ano «já é antecipada» pelos utentes. «É sempre uma atividade muito positiva. Tanto para os estudantes que acabam por ver a sua vida um pouco facilitada como para os nossos utentes, que se divertem imenso com esta responsabilidade». Esta “responsabilidade” que entretanto cresceu para «fora de portas». «Pelo segundo ano consecutivo estamos a fazer flores para a Universidade do Porto. No ano passado contactaram-nos para saber como funcionava esta dinâmica e resultou muito bem, tão bem que repetiram este ano».
O sucesso, tanto a nível pedagógico como efetivo na produção das flores, atingiu o pico em 2019, com «um número enorme» produzido, sendo que em 2025 o número total foi de 40 mil adereços. «As pessoas já conhecem o nosso trabalho e pedem para outras festas, por exemplo aqui para [as festas de] Vale de Açor e Carapinheira da Serra», explicou, satisfeita, Graça Leitão, diretora da Quinta da Conraria, onde se encontram a ser realizadas estas atividades.
«A primeira vez que, ou seja, o ano em que assinámos este protocolo, foi em 2003, portanto já lá vão muitos anos de grande sucesso», indicou a diretora. Tal como Mara Costa deu nota, por vezes os estudantes visitam a quinta e conhecem o espaço, mas habitualmente deslocam-se até ao Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral, localizado no Vale das Flores, apenas para recolher os sacos já completos com as suas encomendas. «Os estudantes fazem o pedido e entregam-nos as folhas que querem ver tornadas em flor e depois nós transportamos para a quinta e de volta ao centro».
Quanto mais tarde chegarem as encomendas à APCC mais difícil se torna terminar as flores, daí a última data ser cerca de uma semana antes do cortejo. «Normalmente entregamos sempre a última encomenda entre três a dois dias antes do cortejo, mesmo que tenhamos de formar mais uma equipa de trabalho».
Sobre a possibilidade de virem a integrar o cortejo, as responsáveis admitem que essa é uma ideia «muito interessante», mas que nunca foi explorada.










