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Espetáculo revisita 65 anos da condição feminina este domingo em Coimbra

A peça que estreia domingo no Convento São Francisco “convoca temas como o namoro, a violência nas relações, o prazer, a sexualidade e a relação com o corpo"

Um espetáculo da criadora e atriz Graça Ochoa, que estreia em Coimbra, vai revisitar e confrontar passado e presente da condição feminina, após 65 anos da publicação de “Carta a uma Jovem Portuguesa”, de Artur Marinha de Campos.

A estreia está agendada para domingo, às 16:00, no Convento São Francisco, em Coimbra, numa criação da associação cultural Monstro Colectivo “que propõe uma reflexão urgente dirigida a jovens e ao público em geral”, revelou hoje a produtora, num comunicado enviado à agência Lusa.

Partindo do texto de Artur Marinha de Campos, publicado no jornal Via Latina, em 1961, o espetáculo “CARTA: 65 anos depois da Carta a Uma Jovem Portuguesa” surge “como um gesto artístico de questionamento e atualização”.

A peça “convoca temas como o namoro, a violência nas relações, o prazer, a sexualidade e a relação com o corpo, explorando-os a partir de uma perspetiva feminina profundamente enraizada na experiência da sua criadora”, adiantou a Monstro Colectivo.

Graça Ochoa constrói uma dramaturgia que “evidencia continuidades, ruturas e transformações na vivência da feminilidade ao longo das últimas décadas”, num cruzamento entre o passado e o presente.

CARTA “é acompanhado por uma seleção musical eclética e surpreendente que atravessa décadas de desejo, rebeldia e intimidade, revelando como as diferentes manifestações do amor se reinventam entre o silêncio, a vulnerabilidade e a libertação”.

De acordo com a produtora, o espetáculo nasceu da experiência anterior da criadora numa visita encenada à exposição “Primaveras Estudantis – da crise de 1962 ao 25 de Abril”, apresentada em Coimbra, em 2023, onde o contacto com a carta original e com testemunhos sobre a condição feminina despertou a necessidade de aprofundar estas reflexões em palco.

Na segunda-feira, em sessão dupla, o projeto será apresentado a escolas.

Graça Ochoa é atriz, criadora, intérprete com valências na área da dança, do canto e do ‘clown’. Tem curso e mestrado em teatro pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto e “procura complementar a sua formação académica com a realização de cursos e ‘workshops’ em teatro e dança”.

Além de colaborações com a Circolando e do desenvolvimento de projetos para crianças e jovens, criou, em 2020, a Monstro Colectivo, um “coletivo de artistas das artes performativas e visuais, sediado em Setúbal”.

Abril 22, 2026 . 18:30

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