
Aroma de pão acabado de sair do forno atraiu dezenas à Serra de Gavinhos
A tarde primaveril (e bem quente por sinal), levou muitas pessoas a aproveitarem o domingo ao ar livre, com família ou com amigos. Em Penacova, a proposta passou por visitar Gavinhos e os seus moinhos de vento, sendo que neste dia em particular a serra ganhou outros aromas, com o pão cozido em forno de lenha a testar o olfato de quem por ali passou. Poucos resistiram a provar, no local, o pão com chouriço ou a levar também para casa o pão de farinha de trigo ou o bolo de cornos (com azeite produzido no concelho). Durante a tarde, foram também confecionadas as tradicionais filhoses.
«Desde as 9h30 da manhã já vendemos 50 kg de farinha e temos mais 50» a sair do forno, confidenciou Sónia Santos, membro da Associação dos Agricultores e de Melhoramentos do Lugar de Gavinhos, no início da tarde de ontem. Realizada no âmbito das comemorações do Mês dos Moinhos, dinamizadas pela Câmara Municipal de Penacova, a Feira do Pão constitui o ponto alto das festividades que se prolongam até à próxima quinta-feira, 23 de abril. Associações e pessoas particulares do concelho marcaram presença com pão previamente confecionado, entre outros produtos endógenos, onde não faltou a cerveja artesanal. Por sua vez, os elementos da Associação dos Agricultores e de Melhoramentos do Lugar de Gavinhos “meteram a mão na massa”, literalmente, demonstrando ao vivo os vários passos da confeção artesanal do pão, do amassar à saída do forno.
Esta é uma prática que felizmente ainda é uma realidade no concelho, como fez questão de evidenciar Carlos Sousa, vereador da Educação, recordando que o concelho de Penacova «tem das maiores concentrações de moinhos do pais» sendo que o maior número de moinhos em funcionamento «estão situados na Serra de Gavinhos».
E a explicação estará no facto desta aldeia «ter descendência de moleiros», frisou Sónia Santos, que ao nosso Jornal referiu que a Feira do Pão, com a demonstração ao vivo do processo da confeção do pão, constitui um importante momento para promover «a nossa gastronomia e não deixar morrer as nossas tradições», dando a conhecer às novas gerações (mais familiarizadas com o fabrico industrial do pão) onde e como nasce esta prática secular.
É nesta vontade de preservar a história e a memória, que a Associação dos Agricultores e de Melhoramentos do Lugar de Gavinhos recuperou, com a ajuda da AD ELO, um moinho de vento cedido pelo município, e onde é moído o grão. Ainda a pensar nas novas gerações, a Associação pretende recuperar um segundo moinho para «não se perderem velhos costumes» e a «tradição não morra no nosso concelho», auspiciou Sónia Santos. É por isso que sob o lema “Moer o grão para cozer o pão”, o programa da autarquia dirige-se sobretudo aos mais novos.









