
Confraria da Lampreia de Penacova em capítulo de degustação e investigação
Dois anos depois, a lampreia voltou à mesa do capítulo da Confraria da Lampreia de Penacova.
E foram 55 exemplares servidos no encontro que assinalou a entrada de um novo membro efetivo e mais um ano na defesa deste ciclóstomo que deu nome à confraria e que é tradição na mesa de Penacova.
Um capítulo - o XXI - que foi especial. Não só porque houve lampreia para servir - possível devido ao aumento excecional do caudal do rio Mondego que permitiu que a espécie subisse para desovar e completar o seu ciclo de vida - mas também porque desta vez se associou uma vertente de investigação que vai permitir saber mais sobre esta espécie que tem estado em declínio acentuado.
Ao mesmo tempo que se prepararam as 55 lampreias para servir em arroz à moda de Penacova, «foram retiradas as gónodas da lampreia», por Inês Oliveira, uma investigadora da Universidade de Évora, que está a desenvolver uma tese de doutoramento sobre a espécie, explicou o grão mestre da Confraria, Fábio Nogueira.
«Além de consumirmos a lampreia também contribuímos para o seu estudo. Elas ficaram exatamente iguais porque se retirou uma parte que não se come», explicou ainda Fábio Nogueira, já no final de mais um capítulo que assinalou a entrada de Hélder Valente como confrade efetivo.
Antes do almoço, decorreu todo o ritual inerente ao capítulo da Confraria da Lampreia:
A entronização do novo confrade, a oração de sapiência e as demais intervenções de um encontro que marca mais uma etapa na vida desta confraria que se propõe a defender a lampreia e toda a gastronomia da região.
Aliás, a oração de sapiência, proferida por Olga Cavaleiro, versou, precisamente, o vasto património gastronómico que gira à volta do rio Mondego.
«Salvaguardar a lampreia é um grande desafio e continua a ser o grande objetivo», assume Fábio Nogueira, recordando os últimos anos, de escassez de lampreia, que obrigou, inclusivamente, a confraria a optar por servir outras iguarias gastronómicas. «Este ano servimos porque houve suficiente, mas se no próximo ano não houver voltamos a não servir», garantiu ainda o confrade mor que quer ser uma «voz ativa» na defesa desta espécie que é tão tradicional na mesa de Penacova.
A Confraria da Lampreia de Penacova tem atualmente cerca de 65 confrades efetivos, a que se juntam os confrades de honra e amigos da confraria.
Confraria pondera adotar novo nome
A próxima assembleia geral da Confraria da Lampreia de Penacova pode ditar uma mudança na associação que pondera adotar um novo nome, sem perder a sua génese:
Confraria da Lampreia e dos Sabores de Penacova.
«Os nossos estatutos já o previam ao falarem da gastronomia tradicional», explica Fábio Nogueira que, desta forma, pretende assegurar que em anos que não há lampreia os convidados não se sintam defraudados no momento em que forem servidos outros sabores, como peixinhos do rio, chispe ou doces conventuais.












