
Doentes de Parkinson vivem dia de “partilha e entreajuda”
Doentes com Parkinson, familiares, amigos e profissionais de saúde participaram ontem no Open Day, dinamizado pelo Hospital da Luz de Coimbra dinamizando um «momento de partilha e entreajuda». Ana Morgadinho Carvalho é neurologista e coordena a área dedicada às doenças do movimento e, como tal, tem sido uma das grandes dinamizadoras desta iniciativa que pretende não só fortalecer quem sofre com a doença neurodegenerativa, como também a equipa de profissionais de saúde.
Hoje, dia 11 de abril, assinala-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson e , por isso, ontem, a manhã foi dedicada aos doentes de Parkinson acompanhados naquela unidade hospitalar, mas não só. O objetivo da iniciativa é informar e fazer com que a pessoa que sofra com a doença possa esclarecer dúvidas, procurar ajuda e conhecer outras formas de colmatar os efeitos desta doença que, não tendo cura, tem tratamento.
«As pessoas têm aderido, contudo, é claro que há alguma inércia pela própria doença que limita a vinda de mais pessoas», começou por explicar a médica neurologista, em conversa com o Diário de Coimbra, depois de uma manhã de palestras, proferidas por profissionais de saúde e investigadores.
«Além de uma parte mais formal, dedicamos a manhã a atividades não tão clássicas, como uma sessão de Yoga do Riso, momentos musicais ou culturais». Já na parte exterior, a equipa de fisioterapia organizou alguns exercícios com o intuito de ensinar os participantes a praticar exercícios em casa, como forma de tratamento da Doença de Parkinson.
Foram ainda convidados a deixar a sua “marca” pintando um mural.
«Para nós, profissionais de saúde, tem sido muito enriquecedor e são atividades um bocadinho fora do formato mais clássico, mas sobre as quais temos tido um feedback muito positivo», realçou. Se há muitos anos a doença de Parkinson era atribuída a pessoas a partir dos 60, 65 anos, hoje a realidade é muito diferente, havendo diagnósticos em pessoas em faixas etárias mais novas.

De momento, «é a doença neurodegenerativa com mais incidência» e os estudos científicos avançam que incidência irá aumentar tanto em Portugal, como na Europa. Nesse sentido, «um diagnóstico atempado é importante e pode permitir a melhoria do tratamento, medicamentoso e não medicamentoso, que é também importante», esclareceu Ana Morgadinho Carvalho.
Nos sintomas mais comuns está o tremor em repouso, a rigidez muscular, as alterações na marcha e no equilíbrio, mudanças na escrita, fadiga e sono alterado e ainda a bradicinesia, ou seja, lentidão nos movimentos.
Contudo, existe sintomatologia não motora que pode indiciar a Doença de Parkinson e que «pode aparecer anos ou mesmo décadas antes dos sintomas motores», como, por exemplo, «alterações do sono, alterações comportamentais, ansiedade ou depressão, alterações cognitivas, perda do olfato». Estes sintomas devem ser sinal de alerta para uma consulta médica. Uma das mensagens para este dia, além da sensibilização da comunidade para a doença é chamar a atenção para a importância de um diagnóstico médico precoce».











