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Via Sacra de Semide é “ato penitencial único no concelho” que atrai muitos fiéis

A recriação da Via Sacra entre Rio de Vide e o Senhor da Serra voltou a realizar-se ontem à tarde, numa Sexta-feira Santa em que o calor não demoveu os muitos fiéis de percorrerem a pé os certa de cinco quilómetros

Acompanhar a Via Sacra com encenação ao vivo entre Rio de Vide e o Senhor da Serra «é como ir a Fátima, é o nosso Santuário», sendo algo que «mexe muito com quem é católico» confidenciou ao Diário de Coimbra Sofia Dias, que todos os anos faz questão de sair de casa na tarde da Sexta-feira Santa para percorrer os cerca de cinco quilómetros que separam a Escola Primária de Rio de Vide e o Santuário do Senhor da Serra. Uma «caminha longa mas que vale a pena, neste «ato penitencial único no concelho», complementou Lurdes Simões.
Da condenação à morte de Jesus, são 14 as estações que os fiéis - residentes ou não no concelho de Miranda do Corvo - percorrem na Sexta-feira Santa, recordando «a paixão e ressurreição do Senhor». Momentos «retirados do texto bíblico» por sugestão, há largos anos, do Papa João Paulo II (em “alternativa” à Via Sacra tradicional que se continua a realizar), e que desde então são recriados por iniciativa do Grupo de Jovens Caminhada Desperta Jovem, da Paróquia de Semide. É assim há cerca de 30 anos, envolvendo várias dezenas de figurantes de todas as idades que representam o grupo de soldados que prende e “castiga” Jesus, Barrabás e Pôncio Pilates, entre outras “personagens”. Nesta passagem da Bíblia, Jesus foi interpretado por Nelson Marques, Maria, a mãe de Jesus por Ana Vaz e Judas por João Pedro Santos.

Via Sacra Semide 21

Pouco passava das 15h00 quando teve início a encenação teatral sob o olhar atento das dezenas de pessoas que depois seguiram, num silêncio só interrompido pelo som dos passos, do bater firme e certeiro das lanças dos soldados no chão, pelo relatar das estações e pela oração proferida pelo padre da paróquia. Momentos antes do seu início , o sacerdote confidenciou ao Diário de Coimbra que «a Via Sacra e o Terço são as duas devoções mais queridas e incentivadas pela Igreja». A Via Sacra é, de acordo com Pedro Miranda, «a devoção mais antiga assumida e recomendada pela Igreja», constituindo em si mesma «uma forma de contacto mais íntima, natural e generalizável com a partida de Jesus».

Na Paróquia de Semide, é uma tradição que se repete há cerca de 30 anos e que envolve no apoio à organização vários grupos da Unidade Pastoral de Miranda do Corvo como muitas pessoas da comunidade, na preparação dos fatos, nos ensaios, montagem e desmontagem de cenários e no natural convívio inerente a toda esta dinâmica, explicou Mónica Neves, um dos elementos do Grupo de Jovens Caminhada Desperta Jovem.
Por tudo isto, há a intenção de dar continuidade a esta tradição que tem início em Rio de Vide. Não podia ser de outra forma, uma vez que já está muito enraizada na paróquia, deixando os locais e quem chega de fora «de coração cheio», como garantiu Amélia Simões, que assistiu à Via Sacra na companhia de Lurdes Simões e Sofia Dias.

Abril 4, 2026 . 07:45

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