
Cantanhede evoca mestre que fez da pedra de Ançã um “tesouro artístico”
O Encontro Cantanhede – História, Arte e Património teve como tema central de debate e análise, na sua quarta edição, a influência de João de Ruão (1500-1580), «figura central da Escola da Renascença Coimbrã, na escultura renascentista portuguesa e a sua produção escultórica na região de Coimbra».
O Município de Cantanhede divulgou ontem uma nota de imprensa sobre este evento, dedicado ao famoso escultor e arquiteto de origem francesa que em 1528 veio trabalhar para Portugal (onde viria a falecer em 1580) e contribuiu para transformar a pedra de Ançã em “tesouro artístico”.
O encontro teve início sexta-feira, na Biblioteca Municipal de Cantanhede, no sábado passou por Coimbra e vai terminar dia 15 de abril, em Lisboa, com visita a algumas das mais famosas obras de João de Ruão.
Na sessão de abertura, o vice--presidente da Câmara de Cantanhede, Pedro Cardoso, salientou que a obra e percurso do reconhecido mestre, que tem como um dos seus expoentes máximos o magnífico retábulo da Capela da Varziela, é há muito conhecida e estudada.
«O programa deste Encontro destaca uma figura maior da escultura de um período áureo da arte portuguesa, mas também evidencia a sua ligação a essa matéria prima por excelência que é a pedra de Ançã, que transformou num tesouro artístico», referiu o autarca, apontando também a «feliz coincidência do tema com o facto deste ano celebrarmos os 25 anos do Museu da Pedra, espaço cultural de referência incontornável, pela sua dimensão museológica, científica, educativa e pedagógica, assim como a dimensão social e cultural da maior relevância».
O encontro teve início sexta-feira, na Biblioteca Municipal de Cantanhede, no sábado passou por Coimbra e vai terminar dia 15 de abril, em Lisboa
«O Museu da Pedra é a menina dos olhos de um concelho que teve a felicidade de ter no seu espaço a matéria prima por excelência da renascença coimbrã», acrescentou.
Citado no comunicado, Pedro Cardoso expressou também satisfação por ver estes encontros assumirem «um papel fundamental na investigação e partilha de saberes, contribuindo para a preservação da memória coletiva e para a compreensão das dinâmicas históricas de Cantanhede, contando para tal com a chancela de prestigiadas instituições académicas».
Na mesma sessão, o vice-reitor da Universidade Aberta, José Sales, enalteceu o «programa muito rico e diversificado» do evento, enquanto Fernando Larcher, da comissão organizadora, abordou o «cruzamento do percurso de João de Ruão com Cantanhede» enquanto mote destas jornadas.
“João de Ruão: questões em aberto” foi o tema da conferência inaugural do IV Encontro Cantanhede – História, Arte e Património, com Maria de Lurdes Craveiro, professora jubilada de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a dar conta de que «mais do que trazer certezas, a sua intervenção se centraria nas “dúvidas” que ainda subsistem sobre o trabalho do prestigiado escultor». «É este o papel desafiante dos historiadores», considerou a antiga secretária de Estado da Cultura e ex-diretora do Museu Nacional de Machado de Castro, concluindo que «apurar quem foi realmente João de Ruão, sobre o qual a historiografia se tem debruçado há mais de um século e sobre o qual pendem tantas incógnitas, constitui um desafio que ainda estará longe de uma decifração satisfatória».
Encontro passou pela Sé Velha e Igreja de Santa Cruz
Organizado conjuntamente pelo Município de Cantanhede, Universidade Aberta e Círculo Português de Estudos Humanísticos, o IV Encontro Cantanhede – História, Arte e Património, dedicado a João de Ruão, reuniu uma dezena de estudiosos e ao longo do dia de sexta-feira incluiu ainda, na Biblioteca Municipal, três painéis temáticos e respetivos debates, que revisitaram a personalidade de João de Ruão, os seus laços familiares
e a génese da obra.
O programa do primeiro dia terminou com uma visita guiada, pelo escultor Alves André, à capela dos Meneses, na Igreja Matriz de Cantanhede, e a inauguração da exposição “Cantanhede nos Itinerários de João de Ruão”, patente ao público na Praça Marquês de Marialva.
Já no sábado, 28 de março, o Encontro passou por Coimbra, com visitas à Sé Velha e ao Mosteiro de Santa Cruz, espaços onde João de Ruão executou alguns dos seus trabalhos.
O IV Encontro Cantanhede – História, Arte e Património termina em Lisboa, no próximo dia 15 de abril, com passagens pela Igreja da Luz, Museu do Centro Cultural Casapiano e Mosteiro dos Jerónimos.











