
António José Seguro vai receber carta de alunos da EB1 Ingote
Abril chega com prevenção contra os maus-tratos às crianças, sendo um mês dedicado a este flagelo. Junto da comunidade do Ingote, os últimos dias foram de trabalho árduo para desenvolver alguns “detalhes” de alerta à população e de sensibilização das crianças para que denunciem casos junto de adultos responsáveis.
O ambiente foi quente e animado, tanto pelo sol como pela animação, junto da comunidade local. Entre entidades parceiras, alunos e organização, todos esperaram o momento de formar o “laçarote” e de ouvir as palavras elaboradas pelas crianças da EB1 do Ingote.
«Estas crianças vivem aqui no planalto do Ingote e têm conhecimentos porque ouvem os vizinhos ou conhecem um amigo [que sofre] ou seja, são atentos e têm muita consciência sobre aquilo que são os seus direitos», contou Vera Silva, organizadora das atividades e membro do Projeto Trampolim. Estes direitos ficaram plasmados numa “Carta”, construída pelos alunos do 4.º ano e adaptada para incluir as “notas” dos restantes alunos da EB1 do Ingote, cujo objetivo final é que chegue às mãos do Presidente da República, António José Seguro.
Programação de Eiras e São Paulo de Frades vai contar com ações relacionadas com a prevenção aos maus-tratos a crianças
«A carta, lida pela Ionara e a Azafe, tem as palavras das crianças e algumas “reivindicações” a pedido delas», sublinhou Vera Silva. Indo além do texto, o trabalho desenvolvido explorou outros campos, como o da imagem, onde foram criados pósteres com algumas mensagens “personalizadas”. «Os cartazes que criámos em conjunto com estes jovens apresentam frases que eles nos disseram, frases que ouvem ou já ouviram», ligando-se assim aos temas “grandes” da iniciativa: “O que doeu em ti, não repitas nele(a)” e “Precisamos de falar!”. «Com diálogo honesto queremos sensibilizar a comunidade para esta realidade e combatê-la».
Com o avançar do tempo e a chegada de mais pessoas, chegou-se ao momento esperado de criar o laço humano, momento que se repetirá noutros moldes graças à união de freguesias de Eiras e São Paulo de Frades. «Temos o objetivo de repetir o que fizemos em 2025, o laço azul humano gigante, no campo do Eirense, onde no ano passado juntámos cerca de 500 pessoas», indicou Luís Correia, presidente desta união de freguesias.
Um dos objetivos para o mês de abril é garantir o destaque para a prevenção dos maus-tratos infantis, realidade que será conseguida através de um conjunto de eventos que serão dinamizados ao longo do mês. «Hoje teremos uma mesa redonda com João Pedro Gaspar que se liga à inauguração do nosso “Laço Azul” desenvolvido em conjunto com a ARBEL [Associação Recreio e Bem-Estar de Lordemão]», sendo este o “pontapé de saída” das iniciativas da junta de freguesia. O restante programa será apresentado ao longo do mês.
Perspetivas diferentes
Vera Silva destaca que o objetivo dos trabalhos realizados foi, principalmente, sensibilizar a comunidade (com especial atenção as crianças) para este flagelo dos maus-tratos. Este trabalho acabou por se traduzir em algumas novas perceções. «[As crianças] partilham as suas histórias umas com as outras, ou seja, mostram a sua realidade aos colegas», identificou, alertando que «é aqui que o projeto, a escola, as entidades e a própria escola entra», neste caso para as sensibilizar e para as deixar «mais atentas».
No que toca aos adultos com quem contactaram, não houve necessariamente «feedback», ou seja, não foram encontradas situações de maus-tratos ou de revelação de violência no seu tempo de infância. «Acabámos por não ter esse tipo de informação porque o trabalho com a comunidade foi mesmo muito focado na parte da criança e dos jovens». Mesmo assim, o mote deixa em aberto um espaço de diálogo, que pode vir a ser aproveitado no futuro, mas Vera Silva admite que neste “primeiro” momento não era «objetivo aferir essa realidade».
Laço azul em comunidade
A verdade é que esta iniciativa não se traduziu apenas na criação do laço humano, mas sim num conjunto de outros laços que foram elaborados previamente e espalhados pelo bairro. Fernando Lopes, utente do centro de dia, falou um pouco com o Diário de Coimbra sobre o processo de criar esses laços. «Fui eu próprio que os pintei porque também fui pintor durante cerca de 10 anos. Estou no centro de dia e vim aqui hoje [ontem] para conviver e não estar sozinho, é importante fazer este alerta e acaba por ser divertido conviver», contou o sénior de 81 anos que também participou na formação do laço humano.
Pelo Ingote, em abril, será possível ver fitas azuis pelas varandas das casas e pósteres de sensibilização espalhados por todo o lado.











