
Exposição com obras censuradas no Estado Novo na Casa da Escrita
A Casa da Escrita, em Coimbra, vai inaugurar em abril uma exposição com obras de diferentes géneros censuradas durante o Estado Novo, sendo um dos núcleos da mostra dedicado exclusivamente à censura de mulheres escritoras. A exposição - “Este livro de reles estofo - A censura à literatura durante o Estado Novo” - resulta de uma parceria entre a Câmara de Coimbra e a associação cultural Ephemera, e estará patente na Casa da Escrita, a partir de 1 de abril, com edições originais de autores portugueses que foram apreendidas, proibidas ou autorizadas a circular.
Os visitantes terão ainda a oportunidade de visualizar «relatórios da própria censura, incluindo pareceres de proibição, autorização ou condicionamento», revelou a autarquia.
«A exposição apresenta uma seleção de obras literárias e de outros materiais ligados à censura no Estado Novo, provenientes do Arquivo da Ephemera, que integra a Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira, uma das maiores bibliotecas privadas portuguesas, com mais de 200 mil títulos», explicou o município.
A mostra centra-se na censura das ideias no campo cultural, privilegiando obras de diferentes géneros (poesia, romance e teatro) publicadas durante aquele período. A iniciativa «inclui também um núcleo dedicado à censura de mulheres escritoras, uma intervenção com características próprias», que contará ainda com referências a autoras internacionais, como Simone de Beauvoir e Françoise Sagan.
A exposição - “Este livro de reles estofo - A censura à literatura durante o Estado Novo” - resulta de uma parceria entre a Câmara de Coimbra e a associação cultural Ephemera
Entre os exemplos apresentados, estão as “Novas Cartas Portuguesas”, das Três Marias (Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), publicadas em 1972, bem como obras de autoras como Natália Correia, Nita Clímaco, Maria Archer ou Fiama H. Pais Brandão. Os títulos em exposição incluem “Ela é Apenas Mulher”, de Maria Archer, “O Caminho Fica Longe”, de Vergílio Ferreira, “Os Romances – Gaibéus. Marés. Avieiros.”, de Alves Redol, “A Noite e a Madrugada”, de Fernando Namora, “O Dia Cinzento”, de Mário Dionísio, ou “Quando os Lobos Uivam”, de Aquilino Ribeiro.
A programação prevê ainda a exibição do filme e documentário “Lápis Azul”, de Rafael Antunes, e uma sessão de leitura de textos censurados, pela Companhia Bonifrates. A exposição pode ser visitada até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, entre as 9h30 e as 12h30 e das 14h00 às 18h00. A entrada é livre.











