
Engenharia “é o motor dos países” e do desenvolvimento
Coimbra foi o ponto de partida do início das comemorações dos 90 anos da Ordem dos Engenheiros, com um jantar com “casa cheia” na Sala D. Afonso Henriques no Convento São Francisco com profissionais de todo o país. As celebrações terminam em novembro na Madeira, após meses de iniciativas em que, como adiantou ao Diário de Coimbra o bastonário Fernando de Almeida Santos, se pretende demonstrar a importância e o papel da engenharia para as sociedades e o desenvolvimento.
Coimbra volta a estar no centro dessas iniciativas, ainda na consequência das cheias do Mondego, demonstrando como a engenharia pode «mitigar esses fenómenos extremos, mas, essencialmente, para conseguir fazer de Portugal um país mais resiliente, face» a este tipo de episódios, salientou Fernando de Almeida Santos, ao dar nota de alguns dos desafios que a engenharia enfrenta atualmente.
Os fenómenos extremos fazem parte da lista, a que se podem acrescentar as alterações climáticas, a inteligência artificial «como ferramenta e não, necessariamente, como resultado», adiantou o bastonário, ao alertar também para a importância da vinculação de talento.
«Há cada vez mais necessidade de engenheiros no mundo global e cada vez menos engenheiros disponíveis. Portanto, o talento é um recurso estratégico escasso e a engenharia é que faz mover os países, é o motor dos países», considera, sem deixar de avançar que «sem engenharia não há renovação de conhecimento e sem renovação de conhecimento não há conhecimento».
E, referiu, se há quem diga que «as infraestruturas são uma ancestralidade», Fernando de Almeida Santos não tem dúvidas que «continuam a ser absolutamente necessárias». Até porque «nós precisamos, em Portugal, de alta velocidade, de um novo aeroporto a sério na zona da capital de Portugal e ampliação dos restantes, interfaces, conectividade, resiliência da rede elétrica nacional, cibersegurança e ciberdefesa ao serviço das populações. É tudo engenharia», resumiu o bastonário, convicto de que «a engenharia vai continuar a ser um bem essencial para a sociedade e para as comunidades».
«A engenharia portuguesa é uma engenharia de excelência, aquém e além-fronteira e podemos dizer que somos uma profissão de alto prestígio e fazemos jus a isso», referiu.
Ao analisar o momento da engenharia, na atualidade, Fernando de Almeida Santos está certo que é um setor que está «no auge», mas há 90 anos «também já estava». «Era outra engenharia, não era uma engenharia digital, não era 5.0, mas já era alguma coisa 2.0, pois já tínhamos passado a revolução industrial, já estávamos na automatização e, portanto, a engenharia já contribuía para o desenvolvimento das sociedades, como sempre fez, de forma crescente», salientou.











