
Empresa figueirense destruída por tempestade denuncia falta de apoios
As instalações da Interdomicilio, situada na Rua Calouste Gulbenkian, na Figueira da Foz, foram atingidas pela tempestade Kristin. A intempérie que assolou a cidade na madrugada de 28 de janeiro provocou «danos significativos» nas instalações da empresa de serviços domésticos e cuidados assistenciais, obrigando ao encerramento deste espaço ao público. «Neste momento, a empresa encontra-se a funcionar de forma muito limitada, assegurando apenas alguns serviços mínimos», indica Ricardo Mendes, revelando que a loja está a acumular prejuízos diariamente.
Mas a maior indignação do responsável da Interdomicilio surge ao deparar-se «sem resposta eficaz» para retomar a atividade, denunciando assim a falta de «apoios reais» para os lesados do mau tempo. «Apesar de ter seguro multirriscos e cumprir todas as minhas obrigações fiscais, a realidade é que este tipo de seguro não cobre a destruição total causada pela tempestade. Até ao momento foi-me indicado um valor de cerca de 4.200 euros, claramente insuficiente para fazer face aos prejuízos existentes. Para agravar a situação, a peritagem relativamente aos vidros está agendada para o dia 12 deste mês [hoje], que são da responsabilidade do seguro do condomínio e não da minha empresa. Ou seja, relativamente aos danos efetivos da atividade e do espaço da empresa, continuo sem qualquer solução concreta», critica.
Empresário diz que loja está a acumular prejuízos diariamente em consequência dos estragos causados pelo mau tempo
De acordo com Ricardo Mendes, «o que mais causa perplexidade» é verificar que os apoios anunciados após a tempestade se concentram essencialmente em: apoios diretos até cerca de 10.000 euros para habitação própria permanente; linhas de crédito para empresas; moratórias fiscais e adiamento de algumas obrigações. «Na prática, estas medidas não representam apoios reais para pequenas empresas afetadas. Representam sobretudo endividamento ou adiamento de responsabilidades», justifica o responsável da Interdomicilio.
Entretanto, o empresário refere que a Câmara da Figueira da Foz tem demonstrado «total disponibilidade para ajudar» dentro das suas competências. «A autarquia procurou acompanhar a situação e chegou mesmo a disponibilizar um espaço alternativo onde poderíamos desenvolver temporariamente a atividade. No entanto, foi igualmente transmitido que, do ponto de vista institucional, o município não dispõe de mecanismos que permitam prestar um apoio financeiro direto ou resolver uma situação desta natureza, que depende essencialmente de medidas ao nível do Estado», explica.
«Não é compreensível que pequenas empresas e comerciantes, que trabalham diariamente, pagam impostos, pagam seguros e contribuem para a economia local, fiquem praticamente excluídos de apoios diretos. Neste momento existem empresas na região com instalações danificadas, atividade interrompida e sem qualquer mecanismo eficaz de recuperação. A sensação que fica é profundamente injusta», lamenta Ricardo Mendes.










