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“Gravar um disco é um processo muito entusiasmante, este não foi exceção”

“Quando Um Fio S’Ensarilha” é o mais recente álbum de Segue-me À Capela, um septeto dedicado à música rural polifónica feminina. Hoje sobem ao palco do Teatro da Cerca de São Bernardo, pelas 21h30, num espetáculo único

São já mais de 25 anos de carreira que o grupo de canto polifónico feminino, Segue-me À Capela, possui. Apesar do seu último álbum de estúdio ter sido lançado há 10 anos, a energia e o interesse pela gravação não faltou, tal como as atuações em diversos palcos. “Quando Um Fio S’Ensarilha” é o mais recente “nó” dado pelo grupo, que lançou o projeto no passado dia 3 de março e hoje o apresenta ao vivo no Teatro da Cerca de São Bernardo. Apesar do concerto, com começo marcado para as 21h30, estar com lotação máxima, o conjunto apela a que «visitem o espaço» e que «tentem os bilhetes de última hora, no local» porque «este vale mesmo a pena não perder».
«Este álbum foi construído de forma coletiva», indicam Mila Bom e Margarida Pinheiro, duas das sete integrantes do grupo. A ambas, juntam-se Carolina Simões, Catarina Moura, Joana Dourado, Maria João Pinheiro e Sílvia Franklim, com participação especial de Quiné Teles, percussionista. «Nem todas são membros originais, mas é mesmo assim», contam as artistas.
Na verdade, cada uma das integrantes tem a sua vida. «Temos as nossas profissões, talvez por isso tenha demorado mais tempo a gravar. A vontade esteve sempre lá, principalmente depois de fazermos a pergunta “vamos voltar a gravar?” e resposta ter sido positiva», explicam Mila e Margarida. A vida pessoal e profissional também acabou por “afastar” alguns membros, o que motivou uma “renovação”. «Nós agora temos algumas senhoras mais novas, até porque nós queremos é que o grupo se mantenha! Se estamos cá a cantar ou não é secundário».

“Começámos num bar que queria ter música tradicional, em Aveiro. Queria ser uma opção que não passasse apenas pop ou jazz”

Nesta nova criação é possível encontrar trabalhos para vários gostos, desenvolvidos através de material reunido de várias formas. «Temos material reunido pelo GEFAC [Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra], por Amélia Muge, Artur Santos, Michel Giacometti, Armando Leça, entre muitos outros. Todos são rearranjados, depois, por nós» e, desta forma, desenvolve-se uma nova música com características populares (do cancioneiro rural) e pessoais.
Inspiradas pelo contacto com outros grupos etnográficos de sonoridades únicas, como as Cramol, Tucanas, Brigada Victor Jara, entre outros, carregam em si a missão de levar o mais longe possível a música tradicional, um desafio que... não é desafio. «O Zé Cabra dizia que havia sempre um nicho de mercado! Temos sempre público. Mas a verdade é que as pessoas gostam da música tradicional, têm interesse pelo folclore, mesmo que não venham para nos ver, aparecem pelo gosto a este género musical».
O seu valor foi, recentemente, reconhecido por um dos grandes artistas portugueses, Vitorino Salomé, que em boa hora de celebrar os 50 anos de “Semear Salsa ao Reguinho”, convidou o grupo para reimaginar a obra “Dizem para aí que chegou”. «Conhecemos o Vitorino há muito tempo, foi um momento que nos deixou muito felizes».
Também em colaboração com o álbum esteve Stereossauro, um dos DJ’s portugueses mais admirados na atualidade, que trabalhou em “Canção da Lenha II”, no seu estilo característico.
Neste momento Mila Bom e Margarida Pinheiro admitem que o foco para o futuro é «continuar com este álbum», mas esperam que, graças ao “sangue novo” no grupo, o próximo não demore dez anos a chegar.

“O Zé Cabra dizia que havia sempre um nicho de mercado! Temos sempre público, mesmo que não nos venham ver [ao grupo] vêm pela música”

Quando Um Fio Sensarilha
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Desafios da atualidade são sentidos por todos os grupos

Questionadas sobre alguns dos problemas que as Segue-me À Capela têm vindo a enfrentar, as artistas sublinham que ter uma «carteira de espetáculos cheia» ainda é difícil. «No nosso caso específico é complicado porque nós não somos um grupo com instrumentos, ou seja, não somos propriamente “dançáveis” o que acaba, por um lado, por nos prejudicar. Mas este é um problema geral. Os artistas portugueses têm dificuldade em encher o seu calendário, a não ser que cantem música pop ou já sejam um grupo afirmado, “grande”. Neste caso não achamos que ser mulher seja propriamente um problema, acho que é uma dificuldade generalizada», refletem Mila Bom e Margarida Pinheiro.
Em análise à sua experiência, admitem que ainda têm «vários espetáculos», mesmo que em Coimbra sejam algo «anónimas». «Há pessoas aqui em Coimbra que não fazem ideia de quem somos, inclusive colegas de trabalho. Nós fizemos vários espetáculos graças à Antena 2, incluindo espetáculos em direto e ao vivo».

Março 7, 2026 . 10:20

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