
Centro de Recolha Animal sem veterinário há dois meses
O Centro de Recolha Animal de Arganil está sem veterinário a tempo inteiro há cerca de dois meses, devido a baixa médica do veterinário municipal. Porque a lei não permite a contratação de outro profissional, os animais ao cuidado desta infraestrutura estão a ser acompanhados somente duas vezes por semana, pelo veterinário municipal da Lousã. Esta solução, no entender das cuidadoras dos animais do concelho de Arganil, é manifestamente insuficiente e por isso estiveram na reunião camarária realizada esta semana para abordar o assunto.
A voluntária Rosa Castanheira começou por alertar para uma situação que ocorreu no Centro de Recolha Animal, dando conta da morte de seis cachorros que já nasceram no canil, por falta de vacinação e desparasitação e para os quais já tinham sido encontrados donos. «Havia adoção garantida para a mãe e para os seis cachorros», garantiu relatando que quando visitou os animais percebeu que o «seu estado de saúde levantava sérias preocupações».
«Ao confrontar os responsáveis, foi reconhecida a falta de vacinação e desparasitação, foi-me dito que seriam observados pelo veterinário que atualmente presta serviço ao Município duas tardes por semana, o que é claramente insuficiente», acrescentou ainda a defensora da causa animal, informando que após duas semanas recebeu a notícia de que os seis cachorros tinham morrido.
«Hoje não peço desculpas nem justificações vagas. Peço responsabilidades. Peço que se apure o que aconteceu, quem decidiu não agir e que medidas concretas serão tomadas para garantir que uma situação destas nunca mais se repete», concluiu.
Luís Paulo Costa reconhece a situação e diz que vai ser desenvolvido um protocolo para resolver problema
Confirmando o sucedido, Paula Dinis referiu que a autarquia tem estado a fazer o que lhe «compete». «Nem eu nem o Sr. presidente somos veterinários e fazemos o que está ao nosso alcance», defendeu a vice-presidente, lamentando o sucedido, mas «problemas acontecem». A autarca adiantou ainda que os animais estão a ser preparados para que, futuramente, sejam promovidas campanhas de adoção.
Por seu lado, Luís Paulo Costa informou que a lei não permite a contratação de outro profissional, nestas circunstâncias. «Permite sim, em situações como estas, que se recorra a veterinários de concelhos vizinhos, que é o que acontece atualmente», explicou o presidente da Câmara de Arganil. «Temos o veterinário da Lousã que vem cá duas vezes por semana, numa colaboração informal», sublinhou o presidente, informando que posteriormente será desenvolvido um protocolo «para resolver este assunto de forma mais permanente, até o veterinário regressar».
Já Cristina Figueiredo, vereadora do PS, sugeriu medidas como a contratação em regime de prestação de serviços de um veterinário, a tempo parcial ou inteiro, enquanto o veterinário não regressa, protocolos com clínicas locais «para assegurar os cuidados médicos urgentes», parcerias com associações e voluntários e campanhas de adoção. «Apelo a que possamos unir esforços para implementar estas medidas temporárias, o mais brevemente possível», pediu.












