
Mostra de Academias ajuda alunos a fazer a melhor escolha
«Sinto que pode ser uma boa saída profissional». As palavras são de Francisco Sousa, aluno do 12.º ano da Secundária de Avelar Brotero, depois de ouvir as explicações do militar da Academia da Força Aérea, uma das 16 entidades que ontem marcaram presença na Mostra de Academias 2026, promovida pela escola. «Já estava a pensar seguir esta área», adianta o jovem de 17 anos. O pai também entende que pode ser «uma boa opção». Todavia, o objetivo de Francisco não é ser piloto. «Será mais na área das engenharias». Depois desta primeira abordagem, vai continuar a «procurar informação», para tomar uma decisão, uma vez que os exames não tardam e as candidaturas ao ensino superior estão à porta.
Menos entusiasmada estava Constança Grilo, do 11.º ano, que frequenta um curso de Design de Moda e procurava uma resposta adequada no ensino superior. «Em Coimbra não há, mas ainda não encontrei nada aqui», disse. Como alternativa, deu especial atenção à oferta da Academia Militar, mas deparou-se com alguma dificuldade relativamente às disciplinas nucleares, Matemática, Física e Inglês e também tem dúvidas de que possa passar nas provas de aptidão física. Mas não desanima, pois ainda tem tempo pela frente.
As fardas cativam bastante a atenção dos estudantes, facto que o sargento-ajudante Carlos Reis confirma. Militar de carreira, apresenta o Exército como uma opção, de formação… e de vida. «Temos vertentes similares à formação civil», diz, destacando o curso de Mecânica, que considera uma oportunidade para os alunos de Mecatrónica. A Medicina é outro dos cursos que suscita curiosidade e pode ser tirado no Exército ou numa universidade “civil”, com a possibilidade posterior de missões, ao serviço do Exército. Carlos Reis refere as especialidades da carreira militar, nas áreas da Infantaria, Cavalaria e Artilharia ou o universo das engenharias, alicerçado em três pilares: construção, explosivos e transmissões. Em todas, o Exército oferece uma formação sólida e «uma oportunidade de grande enriquecimento pessoal e de conhecimento», através das missões efetuadas em diferentes países, como a República Centro-Africana e a Roménia.
A juntar aos stands onde as 16 entidades esclareciam os alunos e entregavam material informativo sobre as suas ofertas curriculares, decorreram palestras de apresentação dos cursos. Todavia, a Mostra de Academias não se ficou pelo átrio, subiu até ao Bar, onde a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra promoveu a criação de cocktails, aproveitando o pátio interior para uma demonstração de rappel.
Estreia absoluta foi a “ocupação” dos laboratórios de Química, onde se realizaram verdadeiras aulas práticas, com a colaboração do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Ana Cordeiro e Ivone Amaro, professoras de Físico-Química da escola, acompanhavam as sessões, destinadas a dar a conhecer a Engenharia Química e elogiavam a «proximidade» e o «efeito motivador» desta nova experiência.
Igualmente satisfeita, Marta Franco, do DEQ, destaca o mérito dos alunos da Brotero, que depois de uma visita ao Departamento, se empenharam, «em conversação com os professores», em “levar” o DEQ à escola. A engenheira reconhece a importância das deslocações às escolas, bem como as visitas dos alunos ao DEQ, para a divulgação do curso, que oferece «muitas saídas» profissionais, designadamente nas áreas da saúde, alimentar, cosmética, farmacêutica, pasta de papel, ao nível de processos químicos e simulação computacional e «também é muito importante ao nível das questões da sustentabilidade», refere.
Consolidar oferta e torná-la mais atrativa
«Procuramos fazer a ponte com as instituições de ensino», diz Alexandra Gaudêncio, psicóloga da Escola, que realça a importância da Mostra de Academias para dar a conhecer aos alunos a oferta formativa existente. As limitações de espaço conferem prioridade aos alunos do 12.º ano, uma vez que a Brotero tem mais de 1.400 alunos e são estes os que estão no limiar do acesso ao ensino
superior.
A psicóloga está entusiasmada com o projeto-piloto que levou a Mostra aos laboratórios, espera que a experiência seja positiva e permita que, para o ano, sejam apresentadas mais propostas de formação com o mesmo enquadramento.











