
Chuva em Coimbra bateu recordes
O presente ano hidrológico em Coimbra é o mais chuvoso pelo menos dos últimos 75 anos. Os valores registados em Coimbra desde 1 de outubro e até ao momento já são superiores àquele que era o recorde até agora (o ano de 1966) segundo os registos, desde 1951, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Segundo dados do IPMA a que nosso jornal teve acesso (e que reportam aos últimos 75 anos), a precipitação acumulada em Coimbra, desde 1 de outubro e até ao dia 17 de fevereiro, é de 1238 mm (em hidrologia, 1 mm de precipitação corresponde a 1 litro de água por metro quadrado e o ano hidrológico começa a 1 de outubro, dia nacional da água). Este valor é bem superior aos 1200,5 registados em 1966 (entre 1 de outubro e o final de fevereiro) e que eram até agora o máximo registado nestes 75 anos. O terceiro ano mais chuvoso em Coimbra foi o de 2001 (em que foram registadas grandes cheias no Baixo Mondego) com 1075,8 mm. No ano de 1977, a precipitação acumulada foi de 1044,9 mm, naquele que foi o quarto ano mais chuvoso em Coimbra, logo seguido por 2003, com 937,2 mm. Entre os 10 anos mais chuvosos em Coimbra temos ainda 1964 (com 915,4 mm), 2023 (878,6 mm), 1960 (867,5 mm), 2024 (865,1 mm) e 1996 (848,2 mm).
Este valor histórico, como nos refere fonte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), reforça a necessidade já assumida pelo Governo de reavaliar as infraestruturas do Baixo Mondego bem como a gestão do Mondego face às alterações climáticas. Basta ver, aliás, que entre os 10 anos mais chuvosos – numa análise entre 1951 e 2026 - temos três bem recentes (2026, 2024 e 2023). O foco desta reavaliação, segundo a mesma fonte terá de passar por identificar pontos críticos e medidas extra de proteção em caso de rutura; estudar as descargas controladas e as zonas de alagamento preferencial para caudais superiores aos 2 mil metros cúbicos por segundo; e a revisão do modelo de governança para assegurar uma resposta mais eficaz.
Foi nesse sentido, aliás, que a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, pediu um relatório técnico com caráter de urgência sobre o impacto das cheias no rio Mondego e avaliação dos modelos de gestão de risco, para adaptar o sistema de infraestruturas da bacia do rio. Um anúncio feito na passada quarta-feira, após uma reunião na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para um balanço da gestão das recentes cheias. Em declarações aos jornalistas, segundo a agência Lusa, a ministra recordou que o rio Mondego tem uma infraestrutura física de diques que foi desenhada nos anos 70 e que agora é preciso adaptar a novas realidades. «Pedimos à APA que se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infraestruturas físicas do Mondego e ver se ele está adaptado às condições de hoje», disse Maria da Graça Carvalho.
No final dessa reunião o presidente da APA, Pimenta Machado, disse que, com o fim do «comboio de tempestades» há «um alívio muito claro em todas as bacias hidrográficas». Na gestão das cheias enfatizou que a APA usou sempre o princípio de provocar cheias controladas para evitar cheias descontroladas, o que foi feito em todas as albufeiras. «Lançámos cerca de 750 hectómetros cúbicos para nos preparar para as cheias», o equivalente à água que os portugueses consomem num ano inteiro. Pimenta Machado exemplificou com a intervenção na barragem da Aguieira, que evitou que Coimbra ficasse inundada, e frisou depois que a prevenção e o ordenamento do território são fundamentais na prevenção das cheias, afirmando que há mais de 100 mil pessoas a viver em áreas de risco.












