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Dragagem é essencial e a Figueira tem capacidade técnica para dar resposta

Diretora Geral da Política do Mar visitou instalações da Atlanticeagle Shipbuilding e recebeu uma verdadeira “lição” sobre estratégias para o setor da economia azul

O “Atleta”, uma embarcação de pesca de cerco de última geração, motivou o convite da Organização de Produtores de Peixe do Centro Litoral para uma visita aos Estaleiros Navais Atlanticeagle Shipbuilding, mas a diretora geral da Política do Mar ficou a saber muito mais sobre o que «se pode fazer na Figueira da Foz, «do que somos capazes» e que «pode ajudar o país e mesmo a Europa», como sugeriu o armador e dono da embarcação.

Tudo porque, «mais do que o saber académico» é importante o «conhecimento de proximidade», sublinhou António Miguel Lé. E foi uma verdadeira “lição” para Mariza Lameiras da Silva, que fez saber que a “sua” Direção Geral é responsável pela Estratégia Nacional para o Mar, e ouviu atentamente os esclarecimentos de Bruno Costa, presidente do Conselho de Administração dos Estaleiros, e as sugestões e alertas de António Miguel Lé, numa reunião que contou, entre outros, com a presença do responsável local da Docapesca e do comandante da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras.

Um dos alertas mais incisivos centrou-se na questão das dragagens e resultou na sugestiva criação de uma empresa nacional de dragagens, que não existe, desde a extinção da Dragapor, e representa a solução para um problema da Figueira da Foz e de muitos outros portos nacionais. Trata-se de garantir que o investimento de 29 milhões de euros em curso no desassoreamento da barra e do porta da Figueira não se perca em «semanas», o que irá acontecer se não houver manutenção, ou seja uma draga em permanência. António Miguel Lé afirmou mesmo que se fosse um investimento seu ou dos seus filhos – também presentes na reunião - seriam incriminados por esbanjamento de dinheiros públicos.

O presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, já em tempos admitiu investir numa draga para assegurar o desassoreamento e o armador garantiu ser a única solução. «E absolutamente necessária», disse e o administrador dos estaleiros subscreveu. Isto apesar de ser a Atlanticeagle Shipbluilding a garantir a assistência às dragas provenientes da Dinamarca ou da Bélgica, uma vez que em Portugal não há respostas. «Pouparíamos muitos milhões», disse Bruno Costa, que apresentou uma draga, destinada à empresa Teixeira Duarte.

«Temos capacidade para construir», afiançou, garantindo aqui não se trata «poder» ou «querer», mas de «uma necessidade» para garantir a segurança no mar ao largo da Figueira da Foz, onde também está o “know how” necessário para a solução. «Porque não criar uma nova Dragapor, uma empresa portuguesa que faça a gestão das dragagens», questionou, com Mariza Lameiras da Silva a ouvir atentamente.

Uma longa “lição” em que a diretora geral ficou a saber que, além de dragas e embarcações de pesca, os Estaleiros têm capacidade para construir os mais diversos tipos de embarcações, desde lanchas rápidas para a Marinha – é o estaleiro com mais embarcações feitas para a Marinha, 77 - catamarans – os da Transtejo foram ali construídos, há 30 anos – ferries – cruzeiros, etc. «Fazemos todo o tipo de navios até 100 metros de comprimento», disse o administrador, para sublinhar que, depois dos Estaleiros de Viana do Castelo, a Figueira da Foz «tem a maior capacidade de construção, em aço e em alumínio» e manifestou vontade de ser um parceiro do Estado neste domínio.

Os estaleiros são únicos a trabalhar na construção e recuperação de pontões portuários e acabam de assinar um contrato com o porto de Portimão, para uma estrutura com mais de 200 toneladas, em aço, no valor de 2,5 milhões de euros.

«Já construímos cerca de 300 navios», afirmou o responsável, uma construção de “A a Z", com todas as respostas integradas. Bruno Costa recordou a história dos Estaleiros, criados em 1944 e adquiridos pela sua família, com 80 anos de experiência na construção naval, em 2012. Um processo com nuances complexas, que em 2022 ganhou novo alento, com a entrada de um novo sócio para a empresa, Timor Leste, o que permitiu «grandes investimentos». «Atualmente estamos com muito, muito trabalho», concluiu.

Janeiro 23, 2026 . 11:45

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